Posição pública sobre Saúde em Portugal

É delicado tomar uma posição pública leal e frontal quando estão envolvidos médicos meus colegas, actualmente com as maiores responsabilidades na área da saúde em Portugal. Mas, há decisões tomadas que, pela gravidade das implicações médicas, humanas e sociais, têm de ser denunciadas e confrontadas, como única forma de serem corrigidas.

Custa-me imenso, a mim como a tantos colegas, saber que as decisões foram tomadas por médicos a exercerem funções políticas. Refiro–me especificamente ao Despacho nº 19264/2010 de 29 de Dezembro do Secretário de Estado da Saúde, que acrescentou, pela primeira vez, o critério económico ao critério clínico, no que se refere ao transporte de doentes não urgentes, de forma impiedosa, atabalhoada e num processo que envolveu declarações com falta de honestidade intelectual.

Isto no mesmo governo que mantém dezenas de motoristas para transportarem ministros, secretários de Estado e altos dirigentes, todos eles saudáveis e com rendimentos que lhes permitiriam pagar do seu bolso esse mesmo transporte.

Este governo remete agora o critério para pagar o transporte de

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