Segunda-feira, 26 de Julho de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Praga de verão

Com a chegada em força do calor chegam também os incêndios. E as dúvidas sobre a capacidade de os enfrentar. Não há, contudo, concordância na resposta à pergunta: Está o país mais bem preparado para a época dos incêndios?

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Tiago Martins Oliveira – presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Florestais (AGIF), diz que pela primeira vez na nossa história, metade dos 246 milhões de euros investidos em 2019 foi em prevenção, invertendo-se a lógica de décadas em que se gastava 80% no combate. Porém, um outro responsável – Emanuel Oliveira que é membro do Observatório Técnico Independente (OTI) não é da mesma opinião, afirmando que se realmente estivéssemos melhor não teríamos neste ano um aumento de 35 % do número de incêndios, em relação a 2018 e uma área ardida superior ao total registado em igual período nos anos de 2018 e 2019. Lembrando os dois graves acidentes, com a morte de um operacional. Conclui este responsável com uma afirmação que nós pessoalmente temos expressado com regularidade: os incêndios não são um problema, mas antes a consequência de como temos guiado e valorizado ao longo das últimas décadas a nossa floresta e de como temos atendido às necessidades e solicitações das nossas populações rurais. Na verdade, não se muda um país em três anos, mas também é certo que não podemos adiar mais o inadiável.

Inadiável é a recriação de um verdadeiro serviço florestal, que cubra todo o território, com a missão de refazer o tecido arbóreo – público e privado, que tem vindo a deteriorar-se, de ano para ano. Um exemplo, que nos deve envergonhar a todos: a recuperação do pinhal de Leiria, devastado em 86 % nos fogos de 2017, continua a marcar passo. Menos de metade dos 2500 hectares planificados foram rearborizados e o restante não estará concluído antes de 2022. O ministro do Ambiente, no Parlamento, informou que 40 % das matas nacionais continuam por limpar. E se falássemos de matas privadas e dos baldios, chegaríamos a constatações ainda mais graves, como podemos verificar, por exemplo, quando subimos o Marão, a partir de Amarante.

Todos os meios para prevenir os incêndios são bem-vindos. Não serão medidas avulsas, como aquela que vimos recentemente a ser apresentado pelo ministro da Defesa, com a utilização de uma dúzia de Drones, que serão muito úteis na deteção dos fogos, que resolverão o problema de fundo. Só uma verdadeira política florestal para o país resolverá o problema e trará riqueza para as populações envolvidas. Enquanto isso não suceder, a praga dos fogos continuará a atingir-nos cada vez com mais força, como sucede nesta altura do ano.

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