Vila RealPrevenção da doença cardíaca mais perto dos vila-realenses

Prevenção da doença cardíaca mais perto dos vila-realenses

Criada há mais de três décadas com o objectivo geral de “promoção da saúde e a prevenção das doenças cardiovasculares”, a Fundação Portuguesa de Cardiologia está agora mais próxima dos vila-realenses com a criação de um núcleo que vai dinamizar acções de sensibilização e consciencialização junto da população.

A doença cardiovascular é a principal causa de morte em Portugal, prevenir a população do distrito é assim o grande objectivo do recém-criado Núcleo de Vila Real da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) que, no dia 11, foi apresentado publicamente.

“Pretendemos principalmente prevenir a população”, sublinhou o médico José Ilídio Moreira, presidente do novo núcleo, que vai agora, “através de acções de sensibilização e consciencialização, fomentar rastreios junto da população e promover estilos de vida saudáveis”.

Segundo o mesmo responsável, “no nosso país a doença cardiovascular é a principal causa de mortalidade e incapacidade”, portanto, “tudo o que possamos fazer para prevenir e evitar a doença cardíaca e vascular é pouco”.

“De entre as causas específicas de morte, destacam-se os acidentes vasculares cerebrais, com mais de 20.000 óbitos anuais e o enfarte do miocárdio, com cerca de 9.000 óbitos anuais. A estes números impressionantes soma-se o número similar de indivíduos atingidos por estas doenças, que ficam gravemente diminuídos”, contabiliza a FPC, sublinhando no entanto que, “à luz dos conhecimentos científicos actuais”, sabe-se que as duas patologias, “são em grande medida evitáveis”.

João José Lopes Gomes, presidente da delegação Norte da fundação, referiu que, enquanto Instituição de Utilidade Pública, a FPC tem exactamente como objectivo principal “desenvolver junto da população acções” de divulgação das doenças cardíacas e formas de prevenção, entre os quais rastreios regulares. “Esperamos que a população nos apoie. Todos nós somos responsáveis pela nossa saúde e pela dos outros”, recordou o presidente.

No que diz respeito à região transmontana, José Ilídio Moreira não avançou com dados estatísticos específicos, no entanto revelou, ao Nosso Jornal, que “não há uma incidência de doença cardiovascular inferior ao do resto do país”, pelo contrário, “em relação a algumas patologias Trás-os-Montes regista uma incidência superior, nomeadamente no que diz respeito aos Acidentes Vasculares Cerebrais”. Entre as várias causas para a justificação dessa constatação estão, por exemplo, “o estilo de vida dos transmontanos e a prevalência elevada de hipertensão”.

Para combater essa realidade, o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro tem feito, nos últimos anos, “um esforço grande em termos de equipamentos, um investimento útil porque melhorou muito o padrão de tratamento dos doentes cardíacos na região”.

Já quando se fala do número de médicos da especialidade, o médico explica que “a situação tem vindo a melhorar, embora ainda haja carências”. “Há uma assimetria muito grande entre os centros hospitalares do litoral e os do interior no que diz respeito aos recursos médicos”, lembrou Ilídio Moreira, referindo que “a situação não está tão má porque, com a abertura do serviço de cardiologia, há formação de internos de especialidade, internos que vão colmatando algumas deficiências”.

O presidente da estrutura vila-realense revelou que o núcleo está actualmente numa sede provisória, uma situação que se deverá alterar em breve com a sua relocalização num espaço com todas as condições para receber a população. “Pretendemos que seja um ponto de passagem frequente” de todos, defendeu.

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