Domingo, 17 de Outubro de 2021

Primeiro nevão causou transtornos em todo o distrito

À hora de fecho desta edição do Nosso Jornal, a neve continuava a cair em vários concelhos do distrito de Vila Real, deixando mesmo alguns municípios completamente isolados. Muitas escolas encerraram mais cedo na segunda-feira, como forma de precaução, e na terça-feira milhares de alunos ficaram em casa, mesmo na capital de distrito, devido à impossibilidade de funcionamento da rede de transportes escolares.

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“A situação mais preocupante é na região do Barroso”, explicou Carlos Silva, comandante distrital de Operações de Socorro do Distrito de Vila Real à hora de fecho desta edição do Nosso Jornal, altura em que, em Boticas e Montalegre, todas as estradas estavam cortadas e as escolas e vários serviços públicos encerrados.

“Só é possível circular em veículos todo-o-terreno e, mesmo assim, com grandes dificuldades”, testemunhou Fernando Campos, presidente da Câmara Municipal de Boticas, deixando a garantia de que a Protecção Civil Municipal encontrava-se no terreno “procurando prevenir acidentes e auxiliando os que foram apanhados desprevenidos”.

Outra preocupação da autarquia, em colaboração com os Bombeiros, foi garantir o transporte das “refeições aos idosos residentes nas aldeias no concelho e que normalmente beneficiam dos apoios domiciliários prestados pela Santa Casa da Misericórdia de Boticas”.

Na manhã de terça-feira, o autarca barrosão deixou mesmo o alerta aos populares para a necessidade de “ficarem em casa e só saírem se estritamente necessário, chamando, ao mesmo tempo, à atenção relativamente ao aquecimento das habitações, para o qual é necessário ter o máximo cuidado”.

Também em Montalegre a situação estava complicada, para além das escolas e serviços encerrados, as estradas estavam “praticamente intransitáveis” e os meios municipais “num constante rodopio para limpar as vias de acesso às aldeias”.

Apesar de ter sido na região barrosã que a neve caiu com maior intensidade, um pouco por todo o distrito o manto branco foi-se instalando e causando os ‘problemas de sempre’. Carlos Silva relatou, ao Nosso Jornal, ao início da tarde de terça-feira, que muitas, ou mesmo a totalidade, das escolas de alguns concelhos, como Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Valpaços e Sabrosa, encerraram. Noutros municípios, como Mondim de Basto, Vila Real e Alijó, os estabelecimentos de ensino abriram portas mas funcionaram a meio gás devido à impossibilidade de transportar os alunos residentes nas localidades mais isoladas.

O comandante revelou ainda que, apesar de muitas estradas municipais e nacionais, se manterem intransitáveis à hora de fecho desta edição, desde que começou a nevar, na manhã de segunda-feira, que nenhuma das vias principais que servem o distrito chegaram a ser fechadas. “A A7, a A24 e o IP4 nunca estiveram encerradas, tiveram sim o trânsito muito condicionado”, garantiu.

Carlos Silva alertou os automobilistas para o risco de optarem por estradas municipais, e mesmo nacionais, como escapatória ao trânsito condicionado nas principais vias rodoviárias. “Nas auto-estradas e no IP4 há os meios necessários para limpar a neve. O tempo de retenção pode ser algum” mas é uma opção mais segura, revelou o mesmo responsável, considerando que “procurar outras estradas não é a melhor solução”.

O comandante distrital pediu ainda aos automobilistas para que, sempre que possível, deixem uma faixa de rodagem livre para que os limpa-neve possam circular. “Na segunda-feira, a situação foi pior e mais demorada em alguns pontos porque os condutores ocupavam todas as faixas e impediam a passagem dos meios de limpeza das vias”, recordou.

Relativamente à população em geral, o conselho da Protecção Civil é que os cidadãos se mantenham atentos às previsões das condições meteorológicas e sigam as indicações das autoridades.

Ao início da tarde de terça-feira mantinham-se fechadas as estradas nacionais 314 (Campeã – Mondim de Basto), 312 (Vila Pouca de Aguiar), 206 (Vila Pouca – Ribeira de Pena) e 311 (Boticas – Salto).

Alexandre Chaves, Governador Civil de Vila Real, contabilizou que “20 equipas foram distribuídas pelo território distrital para avisar, informar e ajudar os cidadãos” e sublinhou que a estrutura da Protecção Civil “está agora disponível para dar respostas atempadas aos problemas que forem surgindo”. No entanto, defendeu desde já a necessidade de elaboração de um plano de emergência para a neve, à semelhança do que existe para os incêndios.

Sobre a capital de distrito, Álvaro Ribeiro, responsável pela Protecção Civil Municipal, revelou que, à hora de fecho desta edição, a rede de transportes escolares continuava parada, levantando-se no entanto a possibilidade de ser retomada à tarde, se as condições climatéricas assim o permitissem. No que diz respeito às estradas, as situações mais problemáticas estavam já a ser resolvidas com os trabalhos de limpeza das estradas de Lamas de Ôlo e da Samardã.

Apesar de todos os transtornos criados, nenhuma autoridade ou agente de Protecção Civil apontou ao Nosso Jornal problemas de maior gravidade resultantes da queda de neve.

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