Vila RealProdução deve rondar as 240 mil pipas

Produção deve rondar as 240 mil pipas

Menos vinho mas de óptima qualidade. Esta é a constatação dos agentes ligados ao sector vitivinícola do Douro referente à vindima deste ano. Se antes se equacionava uma quebra na ordem dos 30 por cento, agora o quantitativo pode rondar em média os 20 por cento. Uma redução provocada pelos ataques de míldio e queda de granizo, que tiveram reflexo na colheita. Duas das principais adegas da região, Vila Real e Santa Marta de Penaguião, reconhecem uma redução, mas esperam vinhos de excelência.

A instabilidade climática, com períodos de muito calor entre Abril e Maio, seguido da ocorrência de trovoadas e queda de granizo, criou as condições propícias para os ataques das doenças da videira, míldio, oídio e traça da uva. Foi neste cenário que a vinha evoluiu até à vindima, registando-se importantes perdas de produção, principalmente nas zonas de menor altitude do Baixo Corgo, alguns sítios do Cima Corgo e Douro Superior.

A adega de Vila Real, uma das que tem maior produção na região, já começou a receber as uvas dos sócios. Uma recepção antecipada em poucos dias, relativamente ao ano anterior. “A nossa vindima começou a 14 de Setembro, mais cedo em relação ao ano anterior. Em termos de produção da área da adega de Vila Real, apontamos para uma redução, mas inferior ao que estávamos à espera. Em termos de qualidade, temos tido boas surpresas, o que é bom para todos”, contou, ao Nosso Jornal, Jaime Borges.

A opção começou pela vindima das vinhas de melhor classificação, letras A e B, depois avançou-se para as seguintes. As expectativas quando à qualidade são optimistas. “ Vai ser um bom ano para produção de vinho do Porto e de mesa. Numa primeira abordagem, as uvas estão a chegar com óptima qualidade e pode-se obter uma colheita de excelência. Registamos graduações elevadas e, várias vezes, têm aparecido graduações de 14, 15 e até 17 graus, valores acima da média”, acrescentou.

Sobre a baixa de produção, Jaime Borges revelou que, na área da adega, “não se sentiu muito”, no entanto houve um período dilatado em que os fungos atacarem algumas vinhas, principalmente de castas brancas, na altura de humidade e calor”.

Relativamente aos preços a praticar para o associado, o dirigente foi cauteloso. “A nossa perspectiva é sempre produzirmos e valorizarmos os produtos entregues, mas atendendo à diminuição do benefício, o rendimento por agricultor irá decair, e isso vai sentir-se nos bolsos dos associados. Vamos ver se conseguimos uma maior valorização nos vinhos de mesa, será um pouco difícil, mas a nossa ideia é compensar sempre o lavrador”.

A produção média da Adega de Vila Real está entre nove a onze mil pipas e o cálculo da vindima deste ano aponta para perto das 9.500 pipas. Jaime Borges sublinhou que a adega vila-realense tem sido muito procurada por lavradores de vários concelhos, que ainda não são associados. “Simplesmente, não temos estrutura para acolher mais sócios. Para isto acontecer, teríamos que alterar as instalações e fazer uma grande remodelação na área da fermentação”. Neste momento, a Adega Cooperativa de Vila Real conta com cerca de 1.300 associados.

Este ano tem sido memorável para Adega Cooperativa de Vila Real, uma vez que já obteve cerca de duas dezenas de medalhas nos principais concursos de vinhos nacionais e internacionais. Para além disso, foi eleita como Produtor Revelação pela “WineAcess”, a mais importante revista canadiana de vinhos. Pela primeira vez, todos os vinhos desta cooperativa já foram medalhados.

 

Redução de 30 por cento na Adega de Santa Marta

 

Mais a Sul do distrito, a redução de produção foi mais sentida, principalmente no concelho de Santa Marta de Penaguião. José Lopes, o presidente da adega cooperativa, uma das maiores do país, deu a conhecer, ao Nosso Jornal, a perspectiva de colheita na sua área. “Temos uma quebra considerável de produção, que pode chegar aos 30 por cento. Os fortes ataques de míldio e a queda de granizo em Junho contribuíram para esta descida. As áreas mais afectadas foram as mais baixas e viradas para o rio Corgo”.

Quanto à produção, estima-se umas 10.000 pipas, um número muito abaixo de outras colheitas. Contudo, esta diminuição pode ser compensada com a “elevada qualidade do vinho que se espera”.

Na última semana de Agosto, começou a colheita virada para a produção do vinho branco “Valdarante”, um topo de gama da adega. José Lopes refere que a vindima se deverá prolongar até final do mês de Setembro. O dirigente não esqueceu a grande redução do benefício, que está a causar “muita preocupação aos dirigentes e aos viticultores associados”.

Recorde-se que, no ano passado, esta adega teve uma vindima boa, colhendo cerca de 17.000 pipas de vinho. Número que expressou um aumento a rondar os 25 por cento em relação ao ano anterior e que projectou a agremiação para novas apostas em mercados mundiais.

Com cerca de 2.000 associados, a Adega de Santa Marta de Penaguião é a maior da Região Demarcada do Douro. Foi fundada em 1959 e, no ano seguinte, foram também criadas no concelho as adegas cooperativas da Cumieira e de Medrões. Na década de setenta, as três adegas juntaram-se comercialmente e em 1987 fundiram-se definitivamente, dando origem às conhecidas Caves Santa Marta.

 

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