Os deputados do Partido Socialista na Assembleia da República, eleitos pelos distritos de Vila Real e Porto, falaram à porta do Túnel do Marão, no dia 21, para anunciar que estão a preparar “uma ação de protesto com as forças vivas da região” para o dia 27 de junho, altura em que se assinala um ano da suspensão daquele troço da Autoestrada.
“Se o Governo não anunciar uma data para o reinício das obras do Túnel do Marão faremos uma nova ação de protesto para assinalar um ano de paralisação. Vamos questionar o Governo mais uma vez sobre essa situação e, a partir daí, fá-lo-emos todos os meses, até que a situação se resolva”, garantiu o deputado Pedro Silva Pereira.
O mesmo responsável político classificou a situação como um “escândalo”, tendo em conta que se trata de uma obra tão “importante para toda esta região, para o seu desenvolvimento”, e que já está “executada a 70 por cento” e paga “em cerca de metade” do seu valor total.
“Esta imagem das obras do Túnel do Marão, paradas há quase um ano, desde que mudou o Governo, vale mais que mil palavras, porque é o melhor retrato da incapacidade do Governo e do Ministério da Economia para resolver os problemas que interessam à economia, ao crescimento e ao emprego”, defendeu Pedro Silva Pereira.
Os socialistas garantem que não vão dar descanso ao Governo, deixando a garantia que “vão continuar atentos e ser exigentes, chamando a responsabilidade do Governo na Assembleia da República”. “Isso assim não pode continuar. É um absurdo”, frisou o deputado eleito pelo círculo de Vila Real.
O PS defende que a situação “não se compreende de nenhum ponto de vista” e recorda “o Governo conhece muito bem todo o processo, até porque o próprio atual secretário de Estado das Obras Públicas esteve na negociação do lado do consórcio bancário antes de ser secretário de Estado”. “Queremos saber de que lado está o Governo. Quer ser exigente com o consórcio bancário para resolver o problema, ou quer ele próprio pagar a obra”, questionou Pedro Silva Pereira.
Os socialistas sublinham o facto da paragem na construção do Túnel influenciar outras obras estruturantes em curso na região, “nomeadamente a autoestrada transmontana, que está em adiantamento, havendo assim uma descontinuidade nesse investimento”.
As obras do troço da A4 pararam a 27 de junho do ano passado, alegadamente devido a problemas financeiros invocados pela concessionária responsável pela construção que resultaram “do corte de financiamento por parte do sindicato bancário que financia” o projeto.
De recordar que, esta é a terceira interrupção no processo de construção do Túnel, sendo que das primeiras duas vezes, que no total representaram um atraso de mais de seis meses na obra, as paragens foram motivadas por providências cautelares levantadas por um privado.
A Autoestrada do Marão é um troço de 30 quilómetros da A4 que vai ligar Amarante a Vila Real e cuja obra envolve a construção daquele que será o maior túnel rodoviário da Península Ibérica, com cerca de 5,6 quilómetros.
A A4, que vai ligar Amarante a Bragança numa extensão total de 160 quilómetros, é constituída por duas concessões rodoviárias, o Túnel do Marão e a Autoestrada Transmontana. Na segunda metade da via já considerada pelo anterior Governo como “a autoestrada da justiça”, a pouco e pouco vão sendo inaugurados vários lanços, mantendo-se a previsão da sua conclusão, na totalidade, em setembro deste ano.


