Quando desertificação não rima com desumanização

Ao contrário, do que muitos pensam, os economistas não falharam nos avisos sobre a actual situação financeira. Assim como fadistas como a Amália ou o Marceneiro também não falharam quando cantavam o fado – a previsão estava lá, a ilusão estava cá. O Velho do Restelo também acertava nas previsões.

Os mercados da dívida existem porque, nos últimos quarenta anos, foi cultivada uma mentalidade do mundo ocidental que favorece o exercício do défice corrente compensado por superávites futuros. Tecnicamente, essa hipótese existe e nem todo o investimento é mau.

Acreditamos quando investimos em Educação que fazemos um bom investimento. E aplaudimos (eu faço-o) o pai de família que se endivida para financiar os estudos dos filhos. Já não aplaudo os pais de família que se endividam para financiar os luxos dos filhos.

Nesta mesma perspectiva, o pensamento keynesiano (que nunca aplaudiu o défice eterno, como nunca ninguém aplaude o homicídio enquanto anti-norma) foi um pensamento que promoveu tolerância no endividamento público sob a assunção de que este

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