Recebi, há dias, por escrito, a comunicação que o meu amigo Júlio fez na Academia Sénior de Cascais subordinada ao título e subtítulo: -“Um Hino ao Esplendor Musical” – “A Sinfonia da Passarada: da Aurora ao Crepúsculo”. Li-a com atenção e confesso que o texto, como todo o texto metafórico, carrega na sua mensagem poética uma subjectividade indiscutível. Penso que a tónica subjectiva do autor da comunicação veicula, no entanto, a sensibilidade de poetas, por exemplo, de um Saint John Pense que, a propósito das aves, escreveu: – “As aves mantêm entre nós algo do canto da criação”. Outros, referindo-se ao seu voo dizem que, nos movimentos circulares e rectilíneos, predispõem-nos a ver nelas símbolos das relações entre o céu e a terra e que o ninho escondido no mais alto das árvores é representação do Paraíso até onde nos elevamos livres dos pesos humanos.
Ora, para o meu amigo Júlio, “o mundo da ornitologia é a voz de Deus e os mais virtuosos passarinhos constituem uma orquestra que tem a abóbada celeste como seu grande auditório”. As notas trinadas pelo rouxinol lembram um solista de violino; o canto do melro transporta-nos à doçura do oboé; o pisco, de timbre sonoro, é clarinete; o tentilhão emite um som de trompete; o milhafre faz lembrar o toque de alvorada e o cuco assemelha-se ao som do fagote.
O meu amigo, por uma observação atenta, cuidada e paciente, dá-nos conta do comportamento de aves, como a carricinha que, diz ele, esvoaça de rabo alçado. A rola brava é senhora do seu porte e
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