Terça-feira, 9 de Dezembro de 2025
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Vila RealQuercus alerta para uma “nova ameaça” à paisagem Património Mundial

Quercus alerta para uma “nova ameaça” à paisagem Património Mundial

Os ambientalistas referem-se ao projeto de construção de uma Linha de Alta Tensão que vai levar a energia elétrica desde a barragem de Foz Tua até Armamar como uma “atrocidade que o Governo se prepara para cometer dentro do Património da Humanidade”. O projeto, agora em fase de discussão pública, vai afetar diretamente 17 freguesias.

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A Associação Nacional de Conservação da Natureza – Quercus lançou publicamente, no dia 28, um alerta sobre um “novo” ataque à paisagem duriense, classificada pela UNESCO como património da humanidade, nomeadamente a construção de uma Linha de Alta Tensão a 400 kV que ligará a barragem de Foz Tua a Armamar.

Segundo os ambientalistas, “apesar dos avisos da UNESCO sobre a possibilidade da desclassificação do Douro Vinhateiro, o governo pretende avançar com o projeto de uma nova Linha de Alta Tensão, que ameaça destruir a paisagem protegida”.

Já em fase de consulta pública, “o projeto prevê que as linhas de transporte de electricidade a implantar sejam suportadas em postes (torres) de 44 e 64 metros de altura, o que os tornará visíveis a muitos quilómetros de distância, e atravessem vários quilómetros da área Património da Humanidade e da sua bacia visual, sendo que a quase totalidade do restante traçado situa-se na zona geral de proteção do Alto Douro Vinhateiro”.

Em comunicado, a Quercus adverte ainda para a situação dos agricultores das 17 freguesias dos concelhos de Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, S. João da Pesqueira e Tabuaço que serão afetadas pela nova linha e que “verão as suas vinhas e outras propriedades devassadas pela colocação das torres e dos cabos de alta tensão, sendo que nas vinhas que forem atravessadas apenas pelos cabos não haverá lugar ao pagamento de qualquer indemnização”.

Lamentando que “os organismos que deveriam defender o Douro e o Património Mundial, tais como a Secretaria de Estado da Cultura e a Estrutura de Missão do Douro, continuem constantemente a não cumprir com a sua missão e a defender os interesses da EDP”, os ambientalistas adiantam que estão já a preparar um documento que será enviado à UNESCO, em Paris, para alertar para “esta nova atrocidade que o governo português se prepara para cometer dentro do Património da Humanidade”.

De recordar que, na véspera do 10º aniversário da elevação do Douro a Património Mundial, foi divulgado um relatório que chamou a atenção para o facto da construção da Barragem de Foz Tua ter “um impacto irreversível” na paisagem duriense, sendo entanto considerado mesmo como uma “ameaça” à região classificada.

Na altura, Ricardo Magalhães, chefe da Estrutura de Missão do Douro, apesar de reconhecer que a barragem terá impactos irreversíveis no Vale do Tua, sublinhou que a sua albufeira apenas afeta uma ínfima parte do território classificado, ou seja, 99,99 por cento da sua extensão está fora do Alto Douro Vinhateiro.

A Barragem de Foz Tua, um empreendimento hidroelétrico orçado em 305 milhões de euros, vai abranger os concelhos de Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Mirandela (distrito de Bragança), Alijó e Murça (Vila Real).

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