Vila Real“Racionalização” e “receitas adicionais” para fazer frente à crise

“Racionalização” e “receitas adicionais” para fazer frente à crise

Depois de anunciada uma redução de 8,5 por cento no orçamento global, as universidades e politécnicos foram confrontados com a implementação de uma reserva de risco de 2,5 por cento. Apesar do reitor da UTAD estar confiante no recuo do Governo quanto à nova taxa, estão já ser tomadas medidas de contenção no seio da academia transmontana. No próximo dia 19 são divulgados os resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vai levar a cabo um plano de contenção que passa pela “racionalização de despesas” e pela aposta em “receitas adicionais”, para fazer frente a uma situação que, despoletada pelos cortes no financiamento, muitos reitores já classificam como “dramática”.

Carlos Sequeira, reitor da academia transmontana, acredita que o “atraso nas transferências” do bolo financeiro orçamentado para o Ensino Superior “é um bom sinal de que os reitores verão acolhida a sua pretensão” relativamente ao desaparecimento da cláusula que está a gerar o descontentamento geral nos responsáveis máximos de universidades e politécnicos e que, a ser adoptada, implicará a criação de uma reserva de risco de 2,5 por cento.

“Até 2012, haverá possibilidade de corrigir uma medida que não tem, efectivamente, racionalidade”, defende o reitor transmontano, explicando que a taxa não recairá apenas no valor transferido do Orçamento de Estado, mas também nas receitas que a instituição “possa vir a realizar, como projectos, prestação de serviços, venda de bens e cativação de propinas”.

Apesar de confiante num retrocesso sobre a questão da reserva de risco, Carlos Sequeira adiantou já que, na UTAD, estão a ser encetados esforços no sentido de poupar nos gastos e ganhar em novas receitas. “Quando há uma crise há necessidade de racionalizar as despesas”, sublinhou o reitor, referindo algumas das medidas que serão implementadas, como por exemplo, a alteração do horário do campus, a contenção nos gastos com os consumíveis e uma revisão ao nível da prestação de serviços.

”Fundamentalmente, tenho que rever todo um plano educativo reflectido sobre as horas de contacto ou sobre a sobreposição de unidades curriculares”, sublinhou ainda o mesmo responsável.

Carlos Sequeira contabilizou que a UTAD está a funcionar com 80 por cento dos ETI’s (Equivalente a Tempo Integral – corresponde ao tempo total de exercício efectivo de actividade do pessoal, integral ou parcialmente, afecto aos trabalhos de I&D), o que representa um “rácio bastante desfavorável”, mas que não tem prejudicado a qualidade do ensino.

De recordar que, no próximo dia 19 serão divulgados os resultados do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior. A UTAD ‘oferece’ este ano 1293 vagas, distribuídas por 36 cursos.

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