Ramalho Eanes e Mário Soares

Esta semana o General Ramalho Eanes foi homenageado com a atribuição de uma espécie de Nobel da cidadania. Trata-se de um ato de justiça a um português que muito deu ao seu país. Foi o primeiro Presidente da República (PR) eleito da jovem democracia portuguesa nascida do 25 de abril. Ramalho Eanes, militar de carreira sem filiação partidária, exerceu os seus dois mandatos no período mais difícil da democracia portuguesa, de 1976 a 1986. Como se recordarão, a democracia estava a dar os primeiros passos, com a maioria dos partidos políticos recém-formados: o PS tinha nascido em 1973, na Alemanha, o PSD e o CDS foram criados em 1974, logo depois do 25 de abril. A exceção era o PCP já com uma longa história. O ambiente social e político nos anos seguintes à revolução estava muito efervescente, por culpa de alguns militares (COPCON) e da ação desestabilizadora do PCP e da extrema-esquerda.

Durante alguns anos, ainda se manteve em funções o Conselho da Revolução, constituído por militares do MFA, que aspirava a ser uma espécie de tutor do regime o que não agradava aos partidos políticos democráticos, PS, PSD e CDS, que consideravam, e bem, que numa democracia parlamentar moderna não fazia sentido haver órgãos de poder não eleitos pelo voto popular. Ramalho Eanes foi e é um militar prestigiado pela postura de seriedade e de rigor que soube cultivar e pelo elevado sentido patriótico de que deu provas, nomeadamente, ter sabido, com o mínimo de danos colaterais, evitar a guerra civil comandando as forças que a 25 de novembro de 1975 repuseram o caminho democrático iniciado

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