Quinta-feira, 30 de Junho de 2022

Recuperação de casas para habitação social ascenderá os dois milhões de euros

Depois de vários anos a perder “fôlego habitacional”, o Bairro de Santa Margarida (o popularmente conhecido Bairro dos Ferreiros) tem vindo a receber, nos últimos dois anos, uma série de obras que prometem uma verdadeira revolução urbanística e o regresso de população.   Este ano, deverão ser recuperados imóveis, no Bairro dos Ferreiros, uma intervenção […]

Depois de vários anos a perder “fôlego habitacional”, o Bairro de Santa Margarida (o popularmente conhecido Bairro dos Ferreiros) tem vindo a receber, nos últimos dois anos, uma série de obras que prometem uma verdadeira revolução urbanística e o regresso de população.

 

Este ano, deverão ser recuperados imóveis, no Bairro dos Ferreiros, uma intervenção que faz parte de um projecto mais extenso da autarquia de Vila Real que, prevendo um investimento superior a dois milhões de euros, marca um ritmo de recuperação de 10 imóveis, por ano, nos próximos três anos. Trata-se de um esforço considerável, para recuperar um Bairro histórico que, ao longo das últimas décadas, foi perdendo os seus habitantes.

Com o objectivo de fixar pessoas no centro histórico de Vila Real, a Câmara Municipal está a trabalhar um projecto de recuperação de edifícios do Bairro de Santa Margarida, mais conhecido como Bairro do Ferreiros, que, ao longo do último século, não só perdeu a actividade económica que lhe garantiu o nome popular, mas, também, a sua população residente, com as habitações a degradar-se, cada vez mais.

Depois da intervenção do Polis que, numa abordagem de mais de três milhões de euros, foi responsável pela “recuperação do espaço público, tendo como ideia base a devolução do bairro ao peão” e que culminou em Março de 2005 (faltando, apenas, concluir a construção do Centro de Interpretação e Monitorização Ambiental, cuja obra deverá ficar pronta, em meados deste ano), a autarquia continua empenhada em dar continuidade à recuperação do bairro histórico, com a dinamização de um projecto que prevê a recuperação das casas existentes, para habitação social.

Segundo o plano do Gabinete Técnico de Habitação da Câmara Municipal de Vila Real, de um total de 204 edifícios existentes no Bairro, 191 são de particulares, quatro estão em ruínas, dois foram já adquiridos pelo Polis e um encontra-se com a construção embargada, entre outros de um conjunto que se pretende revitalizado, recorrendo a instrumentos financeiros de apoio à reabilitação do património habitacional, nomeadamente o RECRIA, o REHABITA e o PROHABITA que complementarão a estratégia municipal de habitação, cujo investimento, só no Bairro dos Ferreiros, será superior aos dois milhões de euros.

“Lembro-me da Margarida, uma amiga minha que era filha do ferreiro mais conhecido deste Bairro”, recorda Maria Georgete que, com 78 anos de vida no Bairro vila-realense, nos transmitiu algumas réstias de memória, sobre a actividade que deu nome à zona.

Residente no bairro histórico, desde apenas alguns meses de idade, Maria Georgete recorda, ainda, a vivacidade e a juventude do aglomerado populacional vila-realense, há alguns anos atrás, vendo, com tristeza, o abandono a que foi dotado, nas últimas décadas.

“Fiquei viúva, aos 40 anos. Criei os meus três filhos praticamente sozinha. Hoje, vivo aqui, com a minha irmã”, continua a moradora que, como muitos outros, viu partir filhos e netos, para outras paragens, deixando apenas os mais velhos no bairro e “mesmo esses já são poucos”.

A designação de Bairro do Ferreiros “corresponde, naturalmente, a uma actividade profissional que ali ganhou dimensão significativa”, explicam os documentos da Tertúlia “História ao Café”, dedicada ao bairro, acrescentando: “Factores como a proximidade da estrada municipal, o movimento comercial, especial adequação do local para a instalação de forjas e a ligação ao Douro, cuja lavoura era um dos clientes principais dos artefactos de ferro ali produzidos levaram a que os ferreiros dominassem a actividade do bairro”.

 

Maria Meireles

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