Sábado, 2 de Julho de 2022

Renasce a esperança

Com a surpreendente vitória em Lordelo, o Vila Real mantém a esperança de continuar a sonhar com a manutenção na 3.ª Divisão Nacional. Num jogo muito difícil, foi mais eficaz a equipa transmontana que entrou em campo sem receio e acabou por vencer, justamente, fruto do golo, obtido ao minuto 14, por intermédio de Filipe. […]

Com a surpreendente vitória em Lordelo, o Vila Real mantém a esperança de continuar a sonhar com a manutenção na 3.ª Divisão Nacional. Num jogo muito difícil, foi mais eficaz a equipa transmontana que entrou em campo sem receio e acabou por vencer, justamente, fruto do golo, obtido ao minuto 14, por intermédio de Filipe.

Depois de uma semana agitada, nas hostes “alvi-negras”, com a saída de Maki e a entrada de Carlos Libério para técnico principal, eis que, afinal, quem vai assumir o comando da equipa, até ao final da época, é Zeca Lopes que já treinou o Lixa. Uma surpresa, uma vez que havia a indicação, por parte da Direcção, de que seria Carlos Libório o sucessor de Maki. Entretanto, Artur Ribeiro afirmou que “esta Direcção fez um último esforço financeiro, para conseguir manter a equipa nesta divisão”.

Quanto ao jogo, o técnico vila-realense, Carlos Libório, fez, apenas, duas alterações na equipa, em relação ao último jogo, de má memória, frente ao Ataense. Igor voltou a ser opção no centro da defesa e Vieira, castigado, cedeu o seu lugar a João. Ricardo acabou por ficar sentado no banco.

Surpreendente foi a atitude dos “alvi-negros” que entraram confiantes no jogo. Cedo começaram a controlar o adversário que, no decorrer da primeira parte, raramente chegou perto da baliza. Com passes curtos, a meio-campo, os jogadores do Vila Real conseguiam dominar esta zona fulcral do terreno. A partir daí, começarem a construir jogadas que levaram bastante perigo à defensiva caseira.

Logo aos 10 minutos, Maniche teve o golo nos pés. Numa boa jogada, conduzida pelo ataque forasteiro, o jogador vila-realense ganhou espaço para o remate, mas um defesa da casa ofereceu o corpo à bola e esta saiu, pela linha de fundo. Era um Vila Real personalizado, com vontade própria para cedo chegar ao golo. Golo esse que se adivinhava, uma vez que a defensiva dos Aliados sentia muitas dificuldades em travar os ataques dos visitantes. Aos 14 minutos, Filipe marcou o único golo da partida. Num bom lance, delineado por Lemos, na esquerda, ultrapassou vários adversários e ofereceu o golo a Filipe. Este, dentro da área, atirou para o fundo da baliza. César nada poderia fazer. Poucos minutos volvidos, os transmontanos poderiam ter ampliado a vantagem, através de um pontapé de canto. Filipe Lemos levantou para o segundo poste, onde apareceu Danilo, solto, a cabecear, por cima do travessão.

Durante toda a primeira parte, os homens de Lordelo não conseguiam aproximar-se com perigo junto da baliza contrária. Excepção feita a um lance em que Vasco Oliveira, dentro da área, rematou, para boa intervenção de João, a defender com os pés. Os visitados tentavam chegar à baliza contrária, com perigo, através de bolas bombeadas para as costas da defesa “alvi-negra”. Mas a estatura elevada dos centrais não dava espaço de manobra aos avançados da casa.

No segundo tempo, José Augusto fez algumas alterações no esquema táctico da equipa e colocou Bruno no lugar de Olivieira. A equipa ganhou outra mobilidade e criou mais dificuldades à defesa forasteira. Os homens de Lordelo vieram com vontade de inverter o resultado e criaram algumas oportunidades para isso. Como nos minutos iniciais da 2.ª parte, quando Igor fez a cobertura e, mesmo assim, Bruno conseguiu o remate, mas a bola saiu a rasar o poste. Por seu turno, o Vila Real nunca descurou o ataque e, por várias vezes, também, poderia ter aumentado a vantagem. Mas os avançados não tiveram a tranquilidade suficiente para alvejar, com êxito, as redes de César.

Depois dos 70 minutos, o jogo começou a ser constantemente interrompido. Houve muitas faltas, com dois jogadores da casa a abandonar o campo, devido a lesão. O árbitro mostrou o cartão vermelho a Bruno, por uma entrada grosseira sobre um adversário. Apenas com dez elementos em campo, o Aliados tudo fez, para chegar ao empate, mas os vila-realenses conseguiram segurar o ímpeto mais ofensivo, nesta altura do jogo. Já muito perto do final, o Aliados ficou reduzido a oito elementos. Quim viu o segundo cartão amarelo, aos 87 minutos, e uma lesão afastou outro jogador do campo. No final do encontro, houve muitos protestos dos dirigentes do Aliados, pela actuação da equipa de arbitragem, vinda de Braga, que anulou um golo, por indicação do assistente de linha que levantou a bandeirola, assinalando uma infracção. Outra situação foi a queda de Quim, na área, que levou o árbitro a mostrar-lhe o segundo cartão amarelo e consequente expulsão.

Com a vitória, os transmontanos conseguem outro alento, para a recuperação que ainda é possível.

 

Márcia Fernandes

 

CARLOS LIBÓRIO, treinador do VILA REAL

“Fomos superiores ao adversário”

Para o treinador vila-realense, mais importante do que a exibição foi a conquista difícil dos três pontos que darão outro alento à equipa.

“Entrámos bem no jogo. Desde cedo, mostrámos que vínhamos aqui para conquistar os três pontos. A equipa adversária não conseguiu criar situações de golo, durante todo o primeiro tempo, pelo que a vitória acaba por assentar bem à nossa equipa. Dentro de campo, demonstrámos que temos uma equipa superior à do Aliados. Fomos criando várias oportunidades, para fazer golo, conseguimos concretizar cedo. Soubemos sofrer, em alguns momentos mais complicados, na segunda parte e o resultado acaba por ser inteiramente justo, para aquela que foi a melhor equipa em campo. Já na parte final, poderíamos ter ampliado a vantagem, por duas ou três vezes, mas não conseguimos ‘matar’ o jogo. Isso deu alguma intranquilidade à nossa equipa, mas soubemos travar as investidas dos homens mais avançados da casa e acabámos por vencer, com todo o mérito”.

 

 

JOSÉ AUGUSTO, treinador do ALIADOS DE LORDELO

“Fomos muito prejudicados”

O técnico da equipa da casa mostrou-se indignado, com a actuação do árbitro vindo de Braga.

“Foi a equipa de arbitragem que derrotou a minha equipa. Esteve muito mal, durante todo o jogo e prejudicou-nos, claramente. Anulou um golo que me parece limpo e não marcou uma grande penalidade. Contudo, hoje, não pudemos contar com alguns elementos que ficaram de fora, por lesão. Depois houve várias contingências no jogo que nos levaram a perder os três pontos. O Vila Real esteve bem, durante os primeiros 45 minutos e marcou um golo, devido a alguma displicência da minha defensiva. Na segunda parte, tudo fizemos para alterar o resultado, mas não o conseguimos, pelos diversos motivos que já enumerei. Não era este o resultado que esperávamos, mas vamos continuar a trabalhar, para almejar a manutenção, o mais cedo possível”.

 

Ficha Técnica

 

Jogo disputado no Estádio do Alto da Parteira, em Lordelo.

Árbitro: Jorge Ferreira.

Auxiliares: Licínio Vieira e Marco Mendes.

ALIADOS DE LORDELO – César; Montenegro, Isidro (Hernâni, 20’, depois Pedrinho, 62’), Maia e André; Bezu, Quim, Paulo Lima e Vasco Oliveira (Bruno, 45’); Lalas e Leal.

Suplentes não utilizados: Hélder, Edu, Carvalho e Bruno II.

Treinador: José Augusto.

VILA REAL – João; Palmeira (João Miguel, 89’), Danilo, Igor (Ricardo, 74’) e Vitó; Filipe, Ernesto, Caniggia (Kalá, 45’) e Lemos; Maniche e Olivier.

Suplentes não utilizados: João Gomes e Zeferino.

Treinador: Carlos Libório.

Cartões amarelos: Filipe (22’), Vitó (32’), Olivier (39’), Quim (41’ e 87’), Maniche (61’), Palmeira (67’), Paulo Lima (72’), Ernesto (80’), Montenegro (83’), Maia (84’) e Lalas (90’).

Cartões vermelhos: Bruno I (70’) e Quim (87’).

Ao intervalo: 1-0.

Marcador: Filipe (14’).

-PUB-

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

Mais lidas

A Imprensa livre é um dos pilares da democracia

Nota da Administração do Jornal A Voz de Trás-os-Montes

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.