Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

Requalificação urbanística é o maior desafio da freguesia para os próximos anos

50 anos depois da sua criação, a freguesia de Nossa Senhora da Conceição, uma das três que constituem a cidade de Vila Real, é hoje a mais populosa do concelho, e até do distrito, somando mais de 13 mil residentes. Um melhor controlo sobre a construção e a actividade comercial, e a recuperação dos bairros mais antigos, são os desafios para o futuro da freguesia vila-realense, que vai comemorar o seu meio século de existência promovendo um seminário para “discutir exactamente o tema do ordenamento do território”.

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“É a maior freguesia da cidade, a que tem mais residentes e, porventura, também a que tem mais problemas, justamente porque é uma freguesia urbana constituída por um conjunto de bairros com grande densidade populacional”, explicou José Abraão, presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição que, no dia 23, vai completar 50 anos de existência.

Segundo o autarca, os principais problemas com que a junta é confrontada actualmente têm a ver, por um lado, com o crescimento algo desregrado da freguesia, e por outro, com a necessidade de requalificação dos bairros mais antigos, para que seja possível a manutenção da qualidade de vida dos seus residentes.

José Abraão utilizou primeiro o bairro de Montezelos como um exemplo negativo, tendo em conta a sua transformação (nomeadamente das lojas no rés-do-chão dos vários prédios ali existentes) numa “zona de armazéns perfeitamente desordenada, sem qualquer tipo de orientações”. “Todo o espaço que deveria estar afecto a zonas verdes e de lazer para a população, muitas vezes encontra-se ocupado por camiões TIR, o que gera grande descontentamento, preocupação e insegurança aos residentes”, garantiu.

Outra fonte de preocupação da freguesia, ao nível do urbanismo, passa pela recuperação dos bairros mais antigos, como por exemplo do Bairro São Vicente de Paula ou o Bairro de Santa Maria, este último já alvo de obras que “há muitos anos eram reivindicadas”.

Se na freguesia há uma fatia de residentes mais jovens, proveniente do facto de Vila Real ser uma cidade universitária, e que é preciso cativar, também há um grande número de idosos a necessitar de apoio, por isso, “há que olhar para as necessidades dos bairros, melhorar as condições de vida das pessoas que aqui residem”.

Apesar de reconhecer as problemáticas ao nível do ordenamento do território, o presidente lembrou que “a junta de freguesia não tem condições financeiras ou mesmo competências para alterar esse estado de coisas”, sendo por isso necessário contar com a intervenção por parte da Câmara Municipal.

José Abraão defende mesmo que a aposta na requalificação urbana, no “arranjo da cidade”, viria “animar alguma actividade económica em torno da construção civil e até criar postos de trabalho”. “Compreendo que haja restrições financeiras por causa da crise, a aposta deveria ser essa em vez de estarmos a pensar em outros tipos de projectos”, aconselhou.

Com um orçamento de cerca de 72 mil euros, proveniente da transferência do Fundo de Financiamento das Freguesias (que vai levar agora um corte de 8,6 por cento) e que pouco mais paga para além das “despesas de funcionamento” da junta, a freguesia vai ter que abdicar “da grande festa” que a freguesia merece e optar pela realização de um programa comemorativo “praticamente sem custos”.

Assim, já no sábado, a junta vai promover um seminário onde reunirá, em torno da discussão sobre o futuro das freguesias, vários responsáveis, entre os quais o presidente de Associação Nacional de Freguesias, Armando Vieira, o secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, o presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Manuel Martins, e vários presidentes de junta do distrito.

Depois do debate será descerrada uma placa comemorativa do aniversário e servido um almoço aos participantes e à população em geral na escola no bairro São Vicente de Paula. No dia 27, a junta vai ainda promover uma noite de Fados.

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