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Rota do Vinho do Porto à procura de um rumo

Criada em 1994 com o objetivo de estimular o potencial turístico da Região Demarcada do Douro nas diversas vertentes da cultura vitivinícola e da produção de vinhos de qualidade, a Rota do Vinho do Porto passa por um momento de impasse e o balcão das suas instalações está encerrado. Alguns dirigentes e autarcas reconhecem constrangimentos para alcançar dos seus objetivos.

“Em quatro anos de mandato nunca fui solicitado, nem tido, nem achado sobre este organismo, o que é realmente estranho”. Esta foi a reação do presidente da Câmara Municipal de Mesão Frio, Alberto Pereira, confrontado pelo Nosso Jornal sobre o funcionamento da Rota do Vinho do Porto. “Eu nem sei se o município é realmente um dos aderentes a uma organização que deverá ter um papel importante na promoção do enoturismo”, acrescentou.

Ao que apuramos, na respetiva associação de aderentes chegou a haver uma reunião em julho para definir quem assumia a presidência. No que respeita à representatividade das câmaras municipais na Rota, ficou definido que a Câmara Municipal de Tabuaço, a Turismo do Douro e o IVDP integravam a direção. Dos privados foi decidido que integrava um operador turístico de Carrazeda de Ansiães, ligado à Rota do Azeite, que estava em representação da empresa Cenários do Douro, e ainda um outro representante de uma quinta do Douro.

De sublinhar que, alternadamente a presidência da Rota era assumida por uma instituição pública e um representante do setor privado. Mas tudo isto surgiu numa altura (antes das eleições autárquicas) em que o então presidente do município de Tabuaço, João Ribeiro, manifestou vontade e interesse em ser presidente, posição que manteve até setembro. Porém, a câmara de Tabuaço, após o último ato eleitoral, mudou de presidência. Espera-se que o município de Tabuaço venha a assumir aquilo que tinha sido decidido com o ex-autarca João Ribeiro. Assim sendo, neste momento a Rota está parada. Um dos sinais mais visíveis é o encerramento das instalações na estação da Régua, verdadeira sala de visitas da cidade e da região, que está de portas fechadas.

Uma das vozes que abordou este assunto, ao Nosso Jornal, foi o presidente do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, Manuel Novaes Cabral. “A Rota do Vinho do Porto é uma das estruturas que têm muita importância na organização da oferta turística para dar resposta à procura. A Rota, enquanto instrumento, é nosso entendimento que ela deve ser basicamente o reflexo daquilo que é a estrutura do turismo do vinho e da vinha no Douro, e deve resultar da iniciativa privada. Mas noto que a mesma tem vindo a ter uma vida atribulada e alguma dificuldade de afirmação. Nós gostaríamos que essas dificuldades fossem ultrapassadas o mais depressa possível e que a Rota fosse efetivamente um instrumento para a promoção do turismo na região do Douro, é isso que se pretende desta estrutura. O turismo vitivinícola não se esgota numa qualquer rota, mas é um meio de promoção e se estiver organizada, é capaz de dar as necessárias respostas”.

Questionado sobre o facto das instalações da rota estarem fechadas, Manuel Novaes Cabral referiu que o estar com as portas abertas também não significa nada em termos de dinamismo, senão houver a devida correspondência”.

Manuel Novaes Cabral assumiu ainda a importância da associação ao reconhecer que nos encontros internacionais a Rota do Vinho do Porto é uma referência, até porque é uma das mais antigas de Portugal. “A Rota do Vinho do Porto, além de servir como central de reservas para os seus associados, era um ponto de referência na Régua, aliás era quase o posto de turismo da cidade”.

Nos últimos meses ainda houve por parte da associação de aderentes a intenção de ampliar as instalações para um novo espaço. Um dos elementos que fizeram parte da sua direção deixou escapar ao Nosso Jornal que havia dívidas por pagar.

Recorde-se que, esta Rota foi criada no âmbito do Programa de Ações Estruturantes para o Setor do Turismo no período 1994­- 1996, e definiu como grande objetivo a atingir, o aumento da capacidade competitiva, através de uma aposta na qualidade, no profissiona1ismo e na diversificação de produtos e mercados.

A revitalização do meio rural, contribuir decisivamente para inverter a tendência do êxodo rural e para a preservação desse importante património, eram outros dos objetivos a cumprir.

As Rotas do Vinho, instrumentos privilegiados de organização e divulgação do enoturismo e neste contexto a Região Demarcada do Douro, dadas as suas características naturais ímpares para a produção de vinhos de excelência e a sua longa história, foi nesse sentido que se entendeu dotar a região de uma Rota do Vinho, à semelhança de experiências já ensaiadas noutras regiões vitícolas Europeias.

A Rota do Vinho do Porto foi criada por um protocolo celebrado entre a Secretaria de Estado do Turismo, a Comissão de Coordenação da Região Norte, o Instituto do Vinho do Porto, a Casa do Douro, e as ex-regiões de Turismo do Douro Sul, do Nordeste Transmontano, Serra do Marão, a Junta de Turismo das Caldas do Moledo, a Associação de Viticultores e Engarrafadores de Vinho do Porto e Douro, a Associação das Empresas de Vinho do Porto e a União das Adegas Cooperativas do Douro. Na sua apresentação oficial, em Lamego, esteve o então primeiro-ministro António Guterres.

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