Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Rússia e EUA possuem mais de 90% do arsenal nuclear mundial

No início da guerra na Ucrânia, além do rasto de vítimas mortais, refugiados, famílias separadas e destroços materiais e culturais incalculáveis, despoletou um receio ainda maior: uma possível guerra nuclear

A Rússia tem quase 6.000 ogivas nucleares, mais do que os EUA. Os dois países têm 90% do arsenal nuclear mundial. Com o fim da União Soviética, a Rússia manteve o seu arsenal e ficou com as armas das antigas repúblicas soviéticas da Bielorrússia, do Cazaquistão e da Ucrânia. Quase um terço das ogivas das duas principais potências nucleares (mais de 3.000) está instalada em mísseis ou em bases de bombardeiros. EUA têm cerca de 100 armas nucleares armazenadas na Europa, nas bases da NATO em Itália, Alemanha, Turquia, Bélgica e nos Países Baixos.

Uma nova versão do tratado de controlo de armas nucleares START, promulgado pela primeira vez em 2011 e prolongado em 2021, limita os EUA e a Rússia a 1.550 ogivas nucleares instaladas cada. Ambos cumprem este limite (têm cerca de 1.400 a 1.500), já que este requisito não considera as ogivas em bases de bombardeiros preparadas para lançamento, mas não instaladas nos mísseis balísticos, ao contrário dos critérios definidos pela Federation Of American Scientists, que considera que estas ogivas podem ser rapidamente instaladas num bombardeiro. Além da Rússia e EUA, apenas outros sete países têm armas nucleares: China, França, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte.

Importa relembrar que, do ponto de vista energético, quase 40% do consumo de gás natural na União Europeia provém da Rússia. A Alemanha depende em praticamente 50% e vários países de leste dependem a 100%. A dependência de Portugal é de 10%, tendo importado gás natural da Rússia pela primeira vez em 2019.

A riqueza energética da Rússia, acompanhada da sua força militar (graças ao seu forte investimento neste área) colocam esta aparente fraca economia (tem um PIB inferior a Itália apesar de ter quase duas vezes e meia mais de população) numa nação temida pelo Ocidente, sobretudo sob a liderança do imprevisível e autocrata Vladimir Putin.

A evidência de estarmos (nós, europeus) hoje tão dependentes da Rússia, é um claro cartão amarelo para políticas europeias passadas, e um alerta para que decisões futuras acautelem um racional geopolítico diferente.

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