Agostinho Chaves
Agostinho Chaves
Trata o jornalismo por tu. Colabora com a VTM há mais de 25 anos. Foi Diretor entre 2014 e 2019. Passou por meios de comunicação nacionais, como o Comércio do Porto e a Rádio Renascença.

Saltar à corda

A informação que o “Jornal de Notícias” de anteontem nos trazia, através da qual se verificou que quase metade dos alunos do 2º ano que fizeram prova de aferição em “Expressões Físico-Motoras”, em 2017, não são capazes de “saltar à corda”, não surpreenderá a maior parte das pessoas, especialmente aquelas que, há mais tempo, na sua meninice, fizeram desse jogo uma das suas mais-valias na saudável ocupação dos tempos livres que possuíam nas ruas, nos espaços de recreio, nos adros das igrejas, nas eiras, nos largos, nas vielas, nos terrenos logradouros, nos terraços. Era esse o tempo em que as crianças brincavam e participavam com muito entusiasmo nos jogos que aprendiam espontaneamente no contacto com as outras crianças (e até jovens mais velhos que elas), em grupo.

Neste caso desta conclusão, o IAVE / Instituto de Avaliação Educativa refere haver graves dificuldades, ao nível motor, nos alunos do 1º Ciclo. Ou seja, está a falhar a educação física nas escolas. Os professoras admitem que a tal disciplina de nome complicado (antigamente chamava-se “Ginástica” e ainda há pouco tempo a sua designação era, precisamente, “Educação Física”) não está a ser dada como deveria e os pais requerem que as aulas passem a ser mais aliciantes para o desenvolvimento da criança que, em rigor, está a ser preparada para o desporto e não para “a tal” educação física.

O problema, no entanto, é mais vasto. 

As crianças, hoje em dia, não têm tempo para brincar. As crianças não têm também lugares ao ar livre para poderem exercitar-se fisicamente sem perigo. As instituições oferecem-lhes “Ocupação dos Tempos Livres” em que continuam a fazer tudo o que os educadores indicam, sem que continuem a poder brincar, correr, exercitar-se. No máximo, usam “tabliers” e os seus telemóveis, jogam informaticamente apenas para si próprias, usam a Internet, “sentadinhas e quietas”.

Em casa, não têm compartimentos largos e o barulho decerto incomodará quem está mais interessado no Goucha, no Vieira ou no Bruno, em vez delas. 

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Por isso, o melhor é recolher aos seus quartos, até que, no dia seguinte, voltem às escolas.

Não admira, pois, que uma criança do 2º ano não consiga sequer saltar à corda.

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