Será este o caminho?

Numa investigação recentemente levada a cabo e publicada pela revista Proteste sobre o fabrico de calças de ganga houve dois aspectos que me suscitaram alguma revolta: o primeiro, sobre a existência de deploráveis condições de trabalho em algumas empresas de marca; o segundo, relacionado com a curiosa estrutura de custos associada ao fabrico daquela peça de vestuário. Por uma questão de simplificação de cálculo e de raciocínio, atribuamos a um par daquelas calças o preço de venda ao público de 100 euros (que, em muitos casos, não anda longe da realidade). De acordo com aquele estudo, 50 euros vão directamente para o vendedor e para o IVA; 24 euros são destinados à marca e à publicidade; 13 euros para os custos com a embalagem e com o transporte; 12 euros para suportar o custo das matérias-primas e de produção e 1 euro para a mão-de-obra. Sim, 1 euro!

O conhecido futebolista brasileiro Ronaldinho Gaúcho foi galardoado com a medalha Machado de Assis, a mais alta condecoração atribuída pela Academia de Letras do Brasil. Indignado com o facto, um comentador brasileiro disse que “o Brasil necessitava encontrar urgentemente o caminho da meritocracia”. Não se pretende aqui discutir o mérito do referido cidadão enquanto futebolista. Nem tão pouco se questionaria a distinção se a iniciativa tivesse partido da Confederação Brasileira de Futebol, em reconhecimento da sua classe e talento enquanto profissional de futebol! Contudo, desconhece-se por completo o seu contributo para o desenvolvimento e para o aprofundamento da área das Letras! Seria desejável que o mérito da outorga de uma qualquer medalha tivesse por base

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