Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Será que já esgotámos o Planeta Terra?

Tenho um Amigo, português de lei que, de Angola, saltou para a Califórnia, com a família toda – aquando da «descolonização exemplar».

Não quis ser mais um peso para a economia nacional. E por ali continuou a saga Transmontana de «antes quebrar que torcer». Com o limite de idade e com a Família restabelecida, não deixou de estar atento a tudo o que se vai passando, cá pelo palmo de terra a que ouvia chamar «retângulo à beira-mar plantado». Por esse ocidente que enriquece que trabalha honestamente, abriu os olhos e entrou, facilmente, nas novas tecnologias. De lá me envia, com regularidade as notícias mais frescas e mais bombásticas.

Neste verão atípico e doentio para a, cada vez mais, empobrecida sociedade portuguesa, veio visitar o Berço da Nacionalidade e deu-me o prazer da sua visita. Grande lição de portugalidade e telurismo! Ambos chorámos a morte de um amigo comum: o conservador do Registo Civil em Sintra, seu conterrâneo e amigo de infância. O Jorge Manuel Pereira Gomes foi ponto de partida para longa conversa. E também o seu livro: Vilas Boas – Chaves: mais de 200 anos da sua História.

Boticas Fernandes Boticas é o nome honrado deste Flaviense.

Mal regressou fez-me chegar este belíssimo naco de prosa que Vítor Colaço Santos escreveu. Ei-lo:

-PUB-

«A humanidade vive a crédito a partir deste mês de agosto. Consumimos o total dos recursos que a natureza colocou à nossa disposição. A Organização Conservacionista Internacional é taxativa: Precisaríamos de 1,7 Planetas Terra para satisfazer as nossas necessidades.

 Há quem queira enriquecer até ao limite, explorando gananciosamente os recursos, sem freio. Sociedades com um per capita elevado, como o Luxemburgo e Qatar, já entraram em ‘bancarrota’, nos seus recursos renováveis, em fevereiro! No Ocidente e na América do Norte, estima-se que em 30%, os alimentos que são postos no lixo! Um crime contra a Mãe Terra!, um inqualificável desperdício e uma afronta aos milhões de famintos que grassam no mundo.
 

Parte significativa da produção alimentar exige quantidades astronómicas de água – recurso finito. Hoje temos a mesma quantidade, como aquela de há 2 000 anos e a população cresceu exponencialmente… Enfrentamos uma realidade muito preocupante.

 Enquanto não houver uma alteração da nova ordem mundial, com um negacionista líder do país mais poderoso do mundo, será difícil reverter esta situação perigosíssima! Porém, também está na nossa mão, tudo fazer para mudarmos de hábitos e consumirmos o estritamente necessário, além do dever de poupar água. Quem vier atrás não apaga a luz, pois dela precisam filhos, netos e descendência… Afinal, só temos o Planeta Terra!»

Só António Costa teima no paradoxo da «palavra dada = a palavra honrada»!  

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