Sábado, 2 de Julho de 2022

Sindicato “expulso” do Centro de Formação

Reivindicar os “direitos dos trabalhadores” foi a razão da greve de três funcionárias da cantina do Centro de Formação de Vila Real. No entanto, para garantir que a greve “não seria furada” pela empresa concessionária do refeitório, a comitiva sindical entrou no Centro, de onde, alegadamente, foi expulsa, tendo havido, mesmo, “agressões”. O Sindicato dos […]

Reivindicar os “direitos dos trabalhadores” foi a razão da greve de três funcionárias da cantina do Centro de Formação de Vila Real. No entanto, para garantir que a greve “não seria furada” pela empresa concessionária do refeitório, a comitiva sindical entrou no Centro, de onde, alegadamente, foi expulsa, tendo havido, mesmo, “agressões”.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restauração e Similares do Norte (STIHTRSN) “vai apresentar queixa contra a Polícia de Segurança Pública (PSP), o Director do Centro de Formação Profissional de Vila Real (CFPVR) e a Eureste, a responsável da cantina”, garantiu Francisco Figueiredo, Delegado Sindical que, no dia 20, acompanhou a greve de três funcionárias do refeitório daquele estabelecimento de ensino vila-realense.

As quatro funcionárias, uma das quais não esteve presente, por se encontrar de baixa, recorreram à greve, para reivindicar “o pagamento das ausências ao serviço por motivo de doença ou para a realização de tratamentos”, como nos explicou Maria Fernanda dos Santos, uma das trabalhadoras da cantina do Centro de Formação que, desde há cerca de oito meses tem como concessionária a empresa Eurest.

No entanto, tendo conhecimento de que a empresa em causa teria contratado, ilegalmente, outros funcionários para garantir o funcionamento da cantina, as grevistas e a comitiva sindical entraram no Centro, para “desenvolver actividades tendentes a persuadir os trabalhadores a aderirem à greve”. Todavia, como explicou Francisco Figueiredo, “o piquete da greve foi expulso das instalações”, pela PSP de Vila Real.

O Delegado Sindical vai mais longe e acusa o Director do Centro de Formação de “ter dado uns empurrões a um membro do piquete de greve, agredindo-o, fisicamente”.

Francisco Figueiredo lamentou que a Inspecção de Trabalho não se tenha deslocado ao local e mostrou a sua indignação pela posição “de protecção” à Eurest, assumida pelo próprio Director do Centro.

Rui Crespo, o Director do CFPVR, garante que não houve qualquer tipo de violência, sublinhando que a entrada na cantina não foi barrada ao piquete. “Foi, sim, imposta a condição de que entrariam, apenas, duas pessoas, de modo a que não fosse perturbado o normal funcionamento da cozinha”, uma situação que não terá sido aceite, pelos sindicalistas.

A mesma informação foi veiculada pela PSP que, como explicou uma fonte daquela força de segurança, “para repor a normalidade”, convidou a sair os quatro indivíduos (sindicalistas) estranhos ao Centro de Formação, agindo dentro de todos os parâmetros da lei e sem recorrer a qualquer violência.

Em resposta ao comunicado do Sindicato da Hotelaria do Norte, a Eurest Portugal explicou, apenas, que “cumpre a legislação em vigor, para o sector”, nomeadamente “no que respeita às ausências ao serviço”, sendo, por isso, “infundadas as acusações apontadas”.

A multinacional sublinhou que, “num quadro de 4600 trabalhadores, a greve teve a adesão de apenas três funcionárias” (sendo de realçar que a cantina em causa “tem um quadro de oito pessoas”) e refutou que tenha havido “a substituição de qualquer trabalhador, uma vez que tal atitude violaria o direito à greve”.

 

Maria Meireles

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