“Só os grandes homens – pela inteligência, pela vontade, pela afectividade, pela fé, por fortes convicções, pelo trabalho honesto – souberam viver a vida, tirando o máximo partido das suas faculdades positivas.
Entre eles, está o sr. P. Avelino – grande pela sua discrição; grande pela sua têmpera altruísta; grande pela sua inteligência e sabedoria, no sentido escriturístico; grande pela sua afabilidade, sem acepção de pessoas; grande pelo seu espírito de sacrifício e de camaradagem; grande nos seus silêncios, por demais enigmáticos e altamente sábios; grande pela sua naturalidade, perante os graúdos e os pequenos da escala social; grande pela sua busca científica do significado das antas megalíticas de Idade da Pedra e do bronze; grande pelo bairrismo indiscutível à sua e vossa terra; grande pelo afável acolhimento ao seu sucessor, sr. P. Óscar, a quem preparou a residência paroquial confortável, e a quem, fraternalmente, almejamos todos os êxitos pastorais para fortuna de S. Martinho de Anta.
Terei gastado mais que os cinco minutos protocolares. É certo. Mas tudo cabe nesta simples legenda escriturística: – O seu louvor são as suas obras, feitas com total dedicação e amor. E estas são incontáveis e altamente meritórias, como tão bem sabe toda a população de S. Martinho e se traduz numa calorosa salva de palmas!”
O P. Avelino ordenou-se presbítero a 24 de Setembro de 1938 e celebrou a 1ª Missa, no dia seguinte, na Igreja Matriz de S. Martinho de Anta.
Aos domingos, por motivo de doença do Pároco, passou a ir celebrar Missa a Nogueira, tendo, pouco depois, em 1939, sido nomeado Coadjutor da Campeã e pároco de Loureiro (Régua) a 2 de Julho de 1939, ali permanecendo até Maio de 1952, donde transitou para Andrães, que paroquiou desde 1952 a 1964, sendo, então, transferido para a sua terra natal, S. Martinho de Anta, onde permaneceu até Outubro de 2002.
Amigo e vizinho de Miguel Torga, a caça mais os aproximou, tornando-se confidente do grande escritor que muito o estimava.
Outro dos seus óbis foram as abelhas e as japoneiras do seu quintal – e a serra da Azinheira, com sua belíssima Capela e as Antas, uma das quais, algo degradada, com esteios de quatro metros e meio de altura, em contraste com outras cujos esteios não ultrapassam o metro e meio, aquela só comparável a uma outra existente no Azambujal (Alentejo).
Incansável andarilho, foi, tal como um moço bem preparado, um papa-léguas, com tempo disponível para conversar seja com quem for e… prosseguir o seu caminho.
Nascido no dia 25 de Abril de 1914, o Padre Avelino faleceu aos 97 anos, e foi na sua terra natal, em São Martinho de Anta, que recebeu o último adeus de “um mar de gente”
Partiu um Grande Homem da Igreja de Deus!
Que Deus o tenha em sua guarda!





