Sexta-feira, 1 de Julho de 2022

Só um milagre!

O Vila Real deslocou-se a Pedras Rubras e averbou mais uma derrota que atira quase por terra a pouca esperança que ainda existia na manutenção. Só um “milagre” poderá salvar a equipa, da despromoção aos Distritais. A vitória do Pedras Rubras foi merecida, perante um Vila Real que esteve muitos furos abaixo daquilo que pode […]

O Vila Real deslocou-se a Pedras Rubras e averbou mais uma derrota que atira quase por terra a pouca esperança que ainda existia na manutenção. Só um “milagre” poderá salvar a equipa, da despromoção aos Distritais. A vitória do Pedras Rubras foi merecida, perante um Vila Real que esteve muitos furos abaixo daquilo que pode e já mostrou saber fazer, em outros jogos do campeonato.

Depois da vitória moralizadora frente ao Tirsense, esperava–se uma equipa motivada e empenhada em vencer este jogo, perante o Pedras Rubras que já tem o seu campeonato feito.

Zeca Lopes apresentou um onze pouco ofensivo, com apenas um homem na frente atacante, Maniche, apoiado nas alas por Luís Alves e Kalá. Para quem a vitória era fundamental, não se percebe o receio manifestado em Pedras Rubras, frente a uma equipa mediana, perfeitamente ao alcance dos transmontanos.

Apesar do resultado negativo, o Vila Real entrou bem no jogo e poderia ter marcado logo nos primeiros minutos. Entrou a pressionar o adversário, ganhando dois pontapés de canto consecutivos. Num deles, o guarda-redes da equipa da casa afastou a bola, sobre a linha de golo. Na recarga, Maniche atirou, de ‘bicicleta’, e a bola saiu a milímetros do poste. Depois da pressão inicial dos forasteiros, o Pedras Rubras conseguiu levar perigo junto à baliza de Vieira, num lance rápido do seu ataque. A bola foi levantada para a área, onde apareceu Nuno Silva a rematar, de primeira, sobre a barra. Poucos minutos volvidos, foi a vez de o Vila Real criar, de novo, um lance perigoso. Kalá cruzou para a entrada da área, onde apareceu Vitó, a rematar, mas a bola saiu a rasar o poste.

O Pedras Rubras vivia, essencialmente, do talento do jovem Nuno Silva, por quem passavam todas as jogadas de maior perigo dos visitados. Aliás, foi dos seus pés que saíram os lances de maior agressividade para a baliza de Vieira. Com um aspecto franzino, muito rápido e com uma técnica acima da média, Nuno Silva deu grandes dores de cabeça à defensiva vila-realense.

Aos 33 minutos, foi a vez de Maniche desperdiçar uma grande abertura de Kalá. Este ganhou a bola, a meio-campo, abriu para Maniche que ficou isolado, perante Cerqueira, mas não conseguiu fazer o remate. O guarda-redes saiu da baliza e acabou por ficar com o esférico. Antes do intervalo, um livre de Campota colocou Vieira à prova. Os bons reflexos do jovem guarda-redes fizeram com que este desviasse a bola, pela linha de fundo.

Numa primeira parte equilibrada, o nulo verificado ao intervalo acabava por penalizar ambas as equipa que tiveram boas oportunidades para marcar.

O segundo tempo começou, praticamente, com o golo do Pedras Rubras. Nuno Silva foi o seu autor (quem mais poderia ser?). Houve um cruzamento, para o interior da área, onde o jovem avançado se antecipou a toda a defensiva, fazendo o único golo do encontro, com muito espaço cedido pela defensiva “alvi-negra”, ao melhor jogador em campo.

No minuto seguinte, Luís Alves teve o empate nos seus pés, mas o remate saiu a centímetros do poste.

A partir do golo, os visitados conseguiram segurar a bola longe da sua baliza e dominaram grande parte do jogo, para além de terem desfrutado de mais ocasiões, para poderem ampliar a vantagem. Os transmontanos pareciam cansados e sem capacidade para dar a volta ao marcador. Faltava objectividade e criatividade no seu jogo. A perder, Zeca Lopes não teve alternativa e colocou Ricardo, no lugar do central Danilo. Mas o resultado dessa substituição não foi produtivo. Houve, apenas, mais uma boa ocasião, para os vila-realenses, a qual foi salva por Cerqueira, a voar e a tirar a bola, sobre a linha.

Conforme o jogo ia avançando, o Vila Real decaiu muito e não teve força anímica para inverter o resultado. Já os da casa dominavam, a seu belo prazer, com a sua figura maior, Nuno Silva, a desperdiçar, também, algumas boas oportunidades. Também Campota teve um bom lance, para marcar, mas a bola bateu na trave, com estrondo.

Até ao final, foi triste ver uma equipa sem chama nem capacidade de dar tudo por tudo, para tentar manter o Vila Real na 3.ª Divisão Nacional. Faltou garra a um grupo que tinha de vencer um jogo que estava ao seu alcance.

A equipa de arbitragem, vinda de Viana do Castelo, cometeu alguns erros de índole técnica, mas não teve qualquer influência no desfecho do encontro.

 

Márcia Fernandes

 

ZECA LOPES, treinador do VILA REAL

“Não nos adaptamos ao sintético”

O técnico vila-realense admitiu que a equipa não esteve ao seu melhor nível, pelo que a derrota acaba por ser encarada, por si, com naturalidade.

“O Vila Real não esteve bem. Sentimos muitas dificuldades em controlar a bola, num terreno que nos causou bastantes problemas para construir jogo. Foram condições adversas que os nossos jogadores não conseguiram ultrapassar. O Pedras Rubras vinha de maus resultados e deu o tudo por tudo, para vencer. Nós não soubemos tirar partido de algumas situações que tivemos, mas, acima de tudo, não nos conseguimos adaptar ao terreno sintético em que, como todos sabem, a bola fica muito difícil de dominar. Ainda temos uma pequena esperança na manutenção”.

 

 

JOÃO PAULO, treinador do PEDRAS RUBRAS

“Foi um jogo fácil”

O técnico vencedor referiu que a sua equipa esperava mais dificuldades de uma equipa que ainda luta pela permanência.

“Foi uma vitória merecida da minha equipa. Esperávamos mais dificuldades, mas tivemos várias oportunidades para marcar. Apenas, conseguimos concretizar uma vez, numa boa jogada de entendimento do ataque que culminou no golo do Nuno. Depois de alguns resultados pouco positivos, em casa, vencemos, hoje, pelo que estamos muito satisfeitos. Conseguimos controlar o jogo e o Vila Real não teve grandes situações. Jogámos com tranquilidade, sem pressão, pois o nosso objectivo já foi alcançado. O Vila Real jogou sobre fogo, com muita ansiedade e, nestas situações, tudo se reflecte, em campo”.

Até ao final da época, o técnico promete lutar pela vitória nos quatro jogos que faltam para o fim do campeonato.

 

FICHA TÉCNICA

 

Jogo disputado no Estádio Municipal de Pedras Rubras.

Árbitro: António Loureiro.

Auxiliares: Nuno Fernandes e José Pinto.

PEDRAS RUBRAS – Cerqueira; Jorginho, Rui Jorge, Seni e Nuno Silva (Paulo, 90+3’); Campota, Pisco (Marco, 75’), Daniel e Evandro; Nando e Lugares (Madureira, 75’).

Suplentes não utilizados: Pereira, Miguel e Toni.

Treinador: José Paulo.

VILA REAL – Vieira; Sandro, Danilo (Ricardo, 54’), Igor e Caniggia; Vitó, Ruben, Lemos e Luís Alves (Zeferino, 74’); Maniche e Kalá.

Suplentes não utilizados: Jorge, João Miguel, Braima e Bruno.

Treinador: Zeca Lopes.

Cartões amarelos: Evandro (30’), Sandro (59’), Rui Jorge (55’) e Nando (65’).

Ao intervalo: 0-0.

Marcador – Nuno Silva (50’).

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