Para o ano, se a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo deixar de ser feriado, e a comemoração passar para o domingo seguinte, as Autoridades eclesiásticas com certeza que se vão debruçar sobre este problema.
Esta Festa surgiu a pedido do próprio Jesus em aparições, aprovadas pela Santa Igreja, a Santa Margarida Maria Alacoque em Paray-le-Monial em França no ano de 1675.
O fundamento desta Solenidade é o amor de Deus pelos homens, simbolizado no coração trespassado de Cristo. A melhor teologia desta festa encontra-se no Prefácio: (…) “Elevado sobre a cruz, com admirável amor deu a sua vida por nós e do seu lado trespassado fez brotar sangue e água, donde nasceram os sacramentos da Igreja”. No coração de Cristo, Homem – Deus, o Pai ama-nos com amor humano e nós amamos o Pai com amor divino.
A essência da devoção ao Coração de Jesus resume-se no primado da caridade, dar amor por amor. Mas, não há amor perfeito sem consagração e reparação, dar tudo a quem nos deu tudo. Não há amor que não exija consagração; não há amor que não seja reparador. Consagração e reparação revivem em nós a aliança que professámos no Batismo.
A devoção ao Coração de Jesus é o culto ao amor divino e humano de Jesus. “É a devoção ao amor com que o Pai e o Espírito Santo amam os homens” (Encíclica Haurietis aquas). É a resposta e solução para os problemas do mundo atual. Ela nos ensina a passar da matéria ao espírito, da dispersão à unidade, do egoísmo ao amor. Para os problemas do mundo e da vida, a solução é amar. Mas a devoção ao Coração de Jesus exige a devoção ao coração dos outros. Quando cada um levar a carga dos outros, torna-se mais leve a nossa. “Aprendei de mim”, disse Jesus.
O próprio Jesus, numa das aparições disse: “Esta devoção é própria das almas dedicadas ao apostolado; todos os que se dedicam à salvação das almas terão o dom de comover os corações mais endurecidos e trabalharão com frutos maravilhosos”.
O Papa Pio XI, na sua Encíclica Miserentíssimus Redemptor de 1928 diz que “os pecados e os delitos dos homens causaram e causariam ainda hoje a morte de Cristo, visto que cada pecado se considera renovação, de alguma maneira, da Paixão do Senhor”.
Segundo o Papa, é este o sentido mais profundo da Reparação. Quer dizer que todas as boas obras que nós fizermos nesta vida para O reparar, já O consolavam no Jardim das Oliveiras.
Assim compreendemos bem o que Jesus disse a Santa Margarida Maria: “Eis o Coração que tanto amou os homens e que os cumulou de benefícios, e, em vez de gratidão, encontra esquecimento, indiferença e ultrajes”.
A reparação ocupa, pois, um lugar proeminente na Mensagem de Jesus a Santa Margarida e se a necessidade de reparação aumenta em nós o Amor ao Seu Coração e Senhor deixa o convite a viver a Adoração Eucarística, praticar boas obras, fazer sacrifícios, fugindo do pecado mortal.
O Senhor deixou à Santa vidente a chamada «Grande Promessa do Sagrado Coração de Jesus»: Na imensa misericórdia do meu Coração prometo a todos aqueles que, durante nove meses seguidos, comungarem na Primeira sexta-feira, a Graça da penitência final (quer dizer da salvação eterna).
Apesar de tudo há quem fale e escreva sobre a “crise na devoção ao Sagrado Coração de Jesus. São Josemaria no seu livro Cristo que passa, nº 163, escreve: «A verdadeira devoção foi e continua a ser uma atitude viva, cheia de sentido humano e de sentido sobrenatural. Os seus frutos têm sido e continuam a ser frutos saborosos de conversão, de entrega, de cumprimento da vontade de Deus, de penetração amorosa nos mistérios da Redenção. Bem diversas, pelo contrário são as manifestações desse sentimentalismo ineficaz, vazio de doutrina, eivado de pietismo. Também não gosto das imagens delambidas, dessas figurações do Sagrado Coração que não podem inspirar devoção, (…) mas não é sinal de boa lógica converter certos abusos de ordem prática, que acabam por desaparecer, num problema doutrinário, de ordem teológica».
E a verdade é que se está a notar, mesmo entre gente nova, um regresso a essa devoção tão rica – a Adoração Eucarística com espírito reparador, já que muita gente e com muita frequência faz «diretas» com Deus.






