Somos todos japoneses

As imagens apocalípticas da tragédia que se abateu sobre o Japão somam-se às reportagens de insuportável realismo, e somos chamados à transida admiração por um povo que engole as lágrimas por entre sorrisos e vénias de cortesia, numa silenciosa e obediente disciplina colectiva.

Ficamos sem palavras diante dos 50 bombeiros que estão dentro da estação nuclear dando tudo por tudo para arrefecer o sistema e evitar que o veneno radioactivo mate milhões, imolando-se a si mesmos à morte por cancro. Anulam-se num acto de amor pelo próximo que devolve a este nosso pobre e desatinado mundo a certeza de que, apesar de todos os pesares, há valores que não morreram.

Pobre povo japonês! Grande povo japonês! Desde Agosto de 1945, era eu uma criança, que olho para esta gente com comovido respeito. Lembro-me como se fosse hoje: vivia em Luanda e os mais velhos falavam entre si, espantados, de uma tremenda bomba lançada sobre Hiroshima e Nagasaki pelos americanos,

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