Terça-feira, 15 de Junho de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

TAP: precisamos de uma companhia de bandeira?

A TAP é bem um exemplo de um país a duas velocidades. Enquanto setores da nossa economia, como o do turismo, sofrem irremediavelmente as consequências de uma pandemia, que impede as pessoas de circularem livremente, arrastando consigo a restauração e o pequeno comércio, em todo o país (e no mundo em geral), sem amparos que se vejam, ou políticas de suporte ao período de crise que se possam considerar, esta nossa empresa de aviação consegue obter ajudas extraordinárias.
 

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A empresa continua a acumular défice sucessivos, que são muito anteriores à Covid-19. Basta lembrar que no ano que passou, fechou com um défice superior a 1.200 milhões de euros, que o Orçamento do Estado tem estado a suportar, para que os vários milhares de trabalhadores recebam os magnânimos salários com que a empresa desde sempre os contemplou.

Recordamos que esta nossa transportadora aérea, embora fazendo um serviço público, era de capitais maioritariamente privados, até ao momento em que o dr. António Costa, aquando da constituição da Geringonça em 2016, decidiu reverter a situação passando o Estado a deter a maioria do capital social, e a gestão, com uma lógica de administração pública, com as consequências que agora se evidenciam: uma empresa em completa falência. 

O plano de reestruturação que foi apresentado à Comunidade Europeia, vai no sentido de manter a empresa sob gestão do Estado, com a argumento de que presta um serviço público de inegável interesse, designadamente no apoio às Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo. Um argumento de carácter político, que vale aquilo que vale.

Porém, nesta intervenção há dissonâncias obvias. Parte-se do princípio de que a sustentabilidade da companhia fica assegurada, como se o futuro da economia do nosso país, da Europa e do Mundo, permitisse antecipar que, acabada a pandemia, tudo regressará ao ponto em que estávamos em janeiro de 2020. Já todos nos apercebemos que não será bem assim. Quantos anos levaremos até lá chegar, ao ponto imediatamente anterior à pandemia?  Ninguém será capaz de antecipar.

Entretanto o que é importante é que o serviço público de transporte aéreo esteja acessível a quem dele necessitar. 
Contudo, desejamos também que este sorvedouro de capitais públicos, dinheiro de todos nós, que tem sido um grande privilégio da TAP nestes últimos anos, acabe de vez, porque ninguém entenderia que ela continuasse a ser uma empresa a viver à rica, num país com tão elevados problemas financeiros.
Só o futuro dirá, se manter uma companhia de bandeira, como foi decidido, foi a melhor solução. 

Oxalá!!!

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