Apesar da crise e da necessidade de cortar no orçamento, o ano de 2010 voltou a trazer números positivos para o Teatro de Vila Real, que contou com perto de 61 mil pessoas em 387 espectáculos, apresentando assim uma média de ocupação das salas de 87 por cento e um investimento por espectador na ordem dos 17 euros.
Vítor Nogueira, director executivo da Culturval, empresa municipal que gere o Teatro, revelou que em alguns aspectos os números apresentaram quebras em relação ao ano anterior, como por exemplo no número de espectadores (menos cerca de 10 por cento), ou no número de espectáculos (menos 20 no total), noutros mostram que “apesar de tudo” foi possível aguentar a crise, com o público a manter-se fiel, tendo em conta que a taxa de ocupação aumentou de 83 para 87 por cento.
Outro dado positivo de 2010 prende-se com o internacionalização da programação, que, com 22 países representados, foi a maior de sempre.
“Foi um ano de consolidação”, classificou o director do Teatro, revelando que, tendo em conta os cortes sofridos na quantidade, os valores foram os esperados.
No que diz respeito a 2011, Vítor Nogueira adianta que “foi preciso fazer alguns reajustamentos” para garantir um “grande corte das despesas”. “O Teatro sempre apertou ao máximo as despesas, sempre deu o seu contributo para uma boa gestão do erário público, no entanto, o pouco que havia a reduzir foi reduzido”, explicou.
Mais, Vítor Nogueira sublinhou que o Teatro nunca pôde contar com tanto apoio comunitário como o que está previsto para o próximo ano, com o desenvolvimento de quatro candidaturas aprovadas que vão trazer, para as despesas referentes à programação, 241 mil euros, praticamente um quarto do valor total do orçamento previsto para a casa de espectáculos.
“Apesar da redução na quantidade, o projecto permanece intacto”, e prova disso é a garantia de que o Teatro pretende manter uma média de mais de um espectáculo por dia, vai estar aberto todos os dias e assegurar uma oferta cultural para todos os públicos.
No que diz respeito ainda à programação, todos os festivais se irão realizar, sendo que, com o intuito também de poupar, deverão apresentar um menor número de espectáculos e não vão circular tanto na região como era desejado.
Para a direcção do Teatro, foi conseguido um orçamento “sólido” e sobre o qual se espera uma execução a cem por cento”.
Culturval gere mais equipamentos desde o início do ano
Dando seguimento a uma deliberação municipal de 2008, desde o dia 1 de Janeiro que a empresa municipal Culturval tem a seu cargo não só o Teatro de Vila Real e o Museu do Som e da Imagem, mas também a Biblioteca de Vila Real, os Museus da Vila Velha e de Arqueologia e Numismática, e a Torre de Quintela.
Vítor Nogueira explicou que o objectivo da reestruturação, que representou um longo processo de adaptação, é garantir uma melhor e mais dinâmica gestão daqueles equipamentos, antes geridos directamente por serviços da autarquia. “Com uma gestão mais próxima, é possível poupar onde é possível”, referiu o director da empresa municipal.
“O que a autarquia espera é que com menos dinheiro se consiga a mesma produtividade, mas eu acredito que poderá ser possível fazer ainda mais”, explicou Vítor Nogueira, mostrando-se confiante de que as pessoas não vão sentir os cortes financeiros.
A medida permitirá, finalmente, que se dinamize estrategicamente a rede de museus, com ganhos não só ao nível da animação dos espaços, mas, por exemplo, no que diz respeito ao Serviço Educativo, com uma oferta às escolas mais coordenada entre todas as infra-estruturas, em vez de um trabalho levado a cabo separadamente.
No que diz respeito à Biblioteca Municipal, o director da Culturval frisou o sucesso da aposta na abertura durante todo o dia, ininterruptamente, e até às 23h00. “Cresceu muito no que diz respeito ao número de visitantes e utentes, sobretudo no horário nocturno, sendo habitual ver as salas de leituras completamente cheias à noite”, testemunhou Vítor Nogueira, contabilizando que a Biblioteca caminha a passos largos para a meta dos 100 mil visitantes por ano.
Em relação à Torre de Quintela, o objectivo essencial é dinamizar aquele Monumento Nacional que este ano completa o 100º aniversário da sua classificação, estando previsto desde logo a realização de uma exposição itinerante sobre a história da Torre, localizada na freguesia de Vila Marim.



