Sexta-feira, 25 de Junho de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Tirar a religião do terrorismo

Quando o Papa Francisco aterrou pela primeira vez em solo dos Emirados Árabes Unidos, no dia 3 de fevereiro, não deixou de sentir, possivelmente, nos seus ombros o peso de um passado duro e sombrio entre as grandes religiões monoteístas, marcado por muitas guerras, incompreensões, divisões, radicalismo, extremismo, incitamento à hostilidade e ao aniquilamento do outro, intolerância, agressões, com um sem número de mortos.

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Durante séculos, os crentes no Deus criador de todos os homens e de todas as coisas belas do mundo empenharam-se em organizar cruzadas de um lado e jihads do outro, para conquistarem terras, influências, negócios, domínios, ou, simplesmente, para terem toda a liberdade e todo o prazer de impor o seu poder e a sua fé aos outros. Jamais as religiões deviam ter sido promotoras de tanta escuridão histórica e de tanta desumanidade.

Chegou o tempo de as religiões se encontrarem no templo e se sentarem à mesa, e até calcorrearem juntas os caminhos do mundo, assumindo uma cultura de abertura, tolerância, respeito mútuo, diálogo e sã convivência, colocando-se definitivamente do lado da construção da paz e do bem de todo o ser humano, procurando fomentar a fraternidade humana e trabalhar em conjunto por aquilo que as une, como  a preocupação pelo afastamento dos valores religiosos e espirituais, a necessária desconstrução das filosofias materialistas agressivas, o individualismo contemporâneo, o preocupante relativismo ético, a dignificação da mulher, o respeito pela instituição familiar e a luta contra a pobreza. 

Jamais se pode usar o nome de Deus e a inspiração na religião para se matar alguém e ninguém tem o direito de usar o nome das religiões ou de Deus para desenvolver guerras ou organizar matanças de quem não crê ou pensa de modo diferente. O terrorismo, que tanto nos tem chocado ultimamente, faz uma instrumentalização abusiva e imoral da religião, que urge desmontar e combater. Infiéis não são os que não pensam como nós e não obedecem à nossa fé. Infiéis são os crentes de todas as religiões que distorcem a verdade da sua fé, que traem a natureza da religião e a bondade de Deus e o invocam e chamam para as suas loucuras e fanatismos, para as suas vinganças e agressões gratuitas, de que Deus jamais quis ou quererá fazer parte.

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