Domingo, 24 de Outubro de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

Um abril diferente é obrigação de todos

Reconheço a importância do dia 25 de abril de 1974 para a democracia e para a história contemporânea portuguesa. Ao invés do que é sugerido por alguns, a indignação face às comemorações do 25 de abril não coloca em causa o regime democrático, nem sequer a singularidade da data, mas sim a cerimónia programada, em […]

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Reconheço a importância do dia 25 de abril de 1974 para a democracia e para a história contemporânea portuguesa. Ao invés do que é sugerido por alguns, a indignação face às comemorações do 25 de abril não coloca em causa o regime democrático, nem sequer a singularidade da data, mas sim a cerimónia programada, em tempos de pandemia.

Para verdadeiramente praticarmos os valores de abril, temos de o respeitar na sua plenitude. Não existe liberdade de expressão, sem liberdade de opinião. A polémica da comemoração, que tem marcado os últimos dias, tem também sido marcada pela absurda catalogação de “fascistas” a todos aqueles que não concordam que 130 pessoas (excetuando jornalistas, assessores, comitivas, etc) estejam acima da lei e se juntem numa cerimónia para, segundo dizem, “honrar Abril”.

Não concordo eu, não concorda o Dr. João Soares (será que também lhe chamam “fascista”?), que já o afirmou, nem concordam muitos milhares de portugueses com a oportunidade da sessão.

Ignorar o enorme sacrifício de todos os que têm de ficar em casa, em reclusão, privados do seu emprego, do seu negócio, da sua vida social e familiar, da última homenagem a amigos ou familiares, não é honrar abril. É desrespeitar abril. É desrespeitar o povo. É contornar abril, em 2020, por muitos dos que tentaram contornar abril, sem sucesso, no pós 1974.

Os valores de abril seriam reforçados se numa cerimónia, na casa da democracia, em vez de 130 pessoas, estivessem o presidente da República, o primeiro-ministro, um representante de cada partido com assento parlamentar e um representante da Associação 25 de Abril. Os restantes lugares estariam ocupados em telepresença por 10 milhões de portugueses que em casa viveriam o momento, orgulhosos de Abril e orgulhosos do respeito dos seus representantes políticos pelo esforço coletivo de regresso à normalidade.

Vivemos em estado de emergência. A última vez que foi decretado o estado de emergência em Portugal foi em 25 de novembro de 1975, em plena pandemia revolucionária.

Nesse dia, o país conquistou a liberdade plena, graças a dirigentes responsáveis como Ramalho Eanes, Jaime Neves e muitos outros.

Honre-se Abril na sua plenitude! Honrem-se todas as datas que permitiram que o país seguisse o seu caminho pluralista que nos permite viver em democracia e com liberdade de expressão e de opinião. 

Espero que, desta vez, e rapidamente, o povo português reconquiste a liberdade plena na sua vida quotidiana. Bem merece!

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