Um Cardeal Transmontano

O Papa Francisco nomeou cardeal o bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, natural de Tronco, Concelho de Chaves.

Uma notícia que encheu de alegria e regozijo a Igreja em Portugal e mais concretamente a Diocese de Vila Real, de onde é oriundo. Confessou à imprensa que encara tudo isto com algum humor e sem pós de distinção mundana ou de grandes importâncias, porque nunca o poder lhe subiu à cabeça, sabiamente aconselhado pelo seu pai. 

Questionado pela imprensa, elencou os possíveis motivos da sua nomeação: pela sua experiência, sabedoria e competência, dar o seu contributo ao Papa e à Cúria romana no governo da Igreja Católica; aproximar mais as dioceses do Papa, desejo há muito manifestado pelo Papa Francisco, tendo grande peso a importância do santuário de Fátima para a Igreja e para o mundo, enquanto espaço de evangelização e encontro dos povos e culturas de todo o mundo, importância que o Papa experimentou na celebração do centenário; a confiança que o Papa deposita na sua pessoa para reformar a Igreja, existindo sintonia de ideias na edificação de um igreja mais evangélica, mais próxima e misericordiosa, mais serva, mais pobre, mais aberta, mais descentrada de si mesma e mais preocupada com os problemas do mundo.

Tive o privilégio e o prazer de o ter como professor e formador. Percebia-se facilmente que estávamos diante de um grande teólogo, sábio e competente, um docente sempre atento, dedicado, apaixonado, generoso, profundo, mas também rigoroso e exigente. Não nos surpreendeu apenas pela supina inteligência, mas também pela afetividade e pela carga sentimental que punha naquilo que ensinava e vivia. Recordo-me que ensinava alguns conteúdos de teologia com as lágrimas nos olhos, o que ainda hoje faz com uma genuinidade desarmante. Como formador, deixou uma marca indelével pela forma humana e adulta como tratava os seminaristas, paladino da liberdade responsável. E não deixava de testemunhar a vivência de um sacerdócio alegre e feliz, que não podia deixar de contagiar.  

Exultamos pela acertada escolha que o Papa Francisco fez. Passa a contar no seu colégio cardinalício com uma pessoa excecional, um padre e um bispo exemplares, um pastor próximo e sagaz e um teólogo notável, que muito o pode auxiliar na renovação da Igreja Católica. 
 

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