Sexta-feira, 26 de Novembro de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

“Um choque de visões do mundo”

Foi assim que um jornalista que acompanhou a Assembleia Geral das Nações Unidas classificou as posições que António Guterres e Donald Trump levaram àquele Forum mundial. 

-PUB-

Afinal, que se poderá dizer da grande manifestação que decorreu em Lisboa, a encerrar a sexta-feira de greves escolares, espalhadas um pouco por todo o mundo, em prol de medidas urgentes contra as alterações climáticas? Uma manifestação que começou e se desenvolveu muito bem, a ser um excelente exemplo de civismo e de consciência ambiental, com a participação de várias gerações – atenção, que esta problemática é de todos, pois diz respeito a todos – mas que termina com atitudes de desobediência civil. O que, aliás, obrigou as Forças de Segurança a medidas dispensáveis. Estou convencido que naquela manifestação participaram pessoas com visões diferentes do mundo, porventura, antagónicas. 

Já aqui trouxemos esta temática e demos nota dos alertas de Greta Thunberg que, apesar do que alguns afirmam, é um bom exemplo para todos, talvez até, um aguilhão na consciência de muitos.

Mas o que foi tornado público em Nova Iorque, aquando daqueles discursos, com base em estudos de muitos cientistas de vários pontos do globo, é demasiado grave para que as posições se extremem de tal maneira que não se consiga um entendimento que nos salvaguarde de catástrofes que ocorrerão se nada se alterar.

Em consonância com esse grande estudo, também cientistas portugueses da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa chegaram a conclusões que nos devem fazer refletir sobre estas questões. Sem cair em gestos ou atitudes passíveis de classificação de desobediência civil. O Expresso refere: «Estima-se que 146 mil portugueses, residentes na orla costeira, serão afetados pelas alterações climáticas, até 2050.» Afinal, isto pode mexer mesmo connosco. Não só com outros.

E onde estão as visões diferentes que David M. Herszenhorn encontrou? Registando que a visão do atual Secretário-geral da ONU “foi forjada na revolução democrática de Portuga, em 1974” e que, coerentemente, faz um apelo fervoroso por maior solidariedade e cooperação internacional – para combater as mudanças climáticas e a desigualdade económica, resistir ao crescente autoritarismo e travar retrocessos nas liberdades democráticas, proteger aqueles que enfrentam discriminação e perseguição e, acima de tudo, impedir a guerra”, enquanto o Presidente dos EUA “um republicano por afiliação, mas muitas vezes fora de sintonia com os pilares ideológicos históricos do partido, cuja carreira política começou apenas com sua campanha para presidente após uma carreira em imóveis e reality shows – apresentou uma forte defesa de nacionalismo e soberania individual do Estado, denunciando a globalização e o compromisso pluralista”.

São visões diferentes do mundo, dos problemas que a todos respeitam, mas com soluções, uma; a outra, contra o caminho que os Estados foram definindo, com muita negociação.

Mais Lidas | opinião

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.