O dia 1 de Novembro é o dia que a Igreja decretou para homenagear todos os santos, não só aqueles, que constam nas festas litúrgicas, mas também os que adormeceram santamente em Cristo.
Muito embora o dia dos fiéis defuntos seja no dia 2 de Novembro, as pessoas, por iniciativa própria, veneram os seus mortos no dia 1 de Novembro, o grande dia festivo da Igreja, e feriado Nacional.
É neste dia, que os cemitérios se enchem de pessoas. De perto e de longe, ninguém deixa de acorrer aos cemitérios, onde os nossos familiares dormem o último sono. Embora festivo, o dia 1 de Novembro, pela glória de tantos santos, que estão junto de Deus, para nós, leigos, é um dia de tristeza, de saudade e de lágrimas. Ninguém pode ignorar este dia, porque está ligado àqueles que amamos, e um dia partiram, deixando-nos órfãos de amor e de carinho. Quem não sente esta angústia? Os próprios descrentes também a sentirão. Ninguém pode fugir à emoção de ter perdido um pai ou mãe, um filho ou outros familiares, por isso vemos rostos cobertos de lágrimas pela dor da separação.
Esta romagem aos cemitérios é o testemunho de que acreditamos que a vida não acaba ali, motivo, porque veneramos aqueles que nos deixaram um dia e foram o nosso arrimo durante a sua existência. Já que a vida é uma pequena passagem na terra, também nós seremos lembrados pelos nossos descendentes e outros familiares, porque ninguém poderá fugir à lei da morte. E vem a propósito neste dia, em que as orações se multiplicam a par da tristeza, que nos enluta o coração, fazer uma profunda reflexão.
Se de facto a vida é tão curta, porque não procuramos vivê-la da melhor maneira, sem ódio, injustiças, vinganças e ambições desmedidas? Deus um dia nos julgará pelo mal que fizemos e pelo bem que não fizemos. Nascemos de mãos vazias e de mãos vazias entramos na eternidade. Porquê tanta ambição neste mundo? «Que importa ao homem ganhar todo o mundo se vier a perder a sua alma?».
Dia de todos os santos e simultaneamente de dor e de saudade dos entes que perdemos. Contudo alumia-nos a esperança de os voltarmos a rever e com eles darmos graças a Deus por toda a eternidade.
DEVOÇÃO
Os seres que amei e o tempo me levou
Deles deixando um rasto de saudade,
São inda luz de intensa claridade
Nos caminhos que a vida me traçou.
De amor, há uma cadeia a estreitar-me
A cada um com santa devoção…
É um amplo jardim meu coração,
Onde jaz seu exemplo a encaminhar-me.
São centelha que incende o meu viver,
Suave lenimento em meu sofrer
Grata recordação de f’licidade.
A morte não é barra a separar-nos,
Mas ponte de esperança a irmanar-nos,
A ligar-nos por toda a eternidade.
Ilda Pinto Ribeiro


