Ao descer a pequena ladeira de terra batida, encontramos a porta do rés do chão da família Mayz. Lá dentro, o pequeno Diego, acabadinho de nascer, repousa na cama, com a inocência própria de quem ainda tem o mundo por descobrir. Um dia vai saber que nasceu numa terra escolhida de coração pelos pais, bem diferente da Venezuela de crise.
Angel Mayz, o pai, tem 34 anos. Há cerca de meio ano que o venezuelano decidiu deixar a sua terra a noroeste, perto de Trinidad e Tobago, rumo a Bragança. O motivo é simples, no meio de uma vida bem complicada: “A crise. Tivemos que deixar o nosso país por causa desta grande crise”.
Sentado no sofá, vai lembrando de olhar sentido. “Há 15 anos a nossa vida era completamente diferente. Tínhamos um bom sistema de saúde, havia bastante trabalho, as pessoas estudavam com outro ânimo, conseguíamos alimentos, medicamentos…de há três anos para cá a crise aumentou e nestes últimos tempos tudo tem sido muito diferente”. A descrição de Angel é crua: “Os supermercados estão quase vazios, sem comida, não há medicamentos, não temos dinheiro, a inflação foi-se multiplicando, o dinheiro não vale nada, com um ordenado mínimo só conseguimos comprar um quilo de massa, um quilo de arroz, azeite e batatas e pronto. Só chega para isso”.
Licenciado na área de marketing, foi chefe de vendas de uma empresa, ganhando acima da média, um salário que correspondia a cerca de seis ordenados mínimos. Mesmo assim, como explicou, “só dava para comprar comida,
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