Sábado, 6 de Junho de 2026
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Um filme interminável

Há filmes bons, há outros assim-assim, e há alguns intermináveis. Este, da TAP, é um deles.

Que a transportadora aérea nacional é absolutamente essencial para o nosso país, já o referimos há meses, justificando entre outras coisas, com a necessidade de manter laços com as antigas colónias e com todas as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

Lisboa é declaradamente um centro aéreo – HUB, quer em termos económicos, quer em termos de dividendos da atividade de transporte aéreo, cada vez mais importante que o país não deve dispensar. A TAP é uma companhia de bandeira, e mal se entende que volta e meia apareça quem duvide da necessidade da sua existência. Havendo tantas companhias públicas e privadas interessadas no HUB de Lisboa, em nossa opinião, a TAP poderia ser privatizada, entregando, porém, o encargo de a gerir a uma parceria consentânea com a sua vocação pública, sem estar permanentemente “pendorada” no Orçamento do Estado.

Veja-se a questão que está a ser debatida na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), cujos debates parecem não ter fim, sobre uma pretensa indemnização à sua administradora (CEO), que foi demitida.

O que é que verdadeiramente está em causa?

-PUB-

Parece que ninguém sabe, muito menos os parlamentares que foram designados pelos seus grupos parlamentares. Duas dúzias de deputados, que há mais de dois meses ainda não conseguiram encontrar o fio da meada.

E é isto a TAP: Uma empresa de capital maioritariamente Público, depois da reversão que o atual chefe do Governo decidiu fazer, logo que assumiu funções em 2015. Decisão que, como se percebe agora, não devia ter sido tomada. Por essa ocasião, lamentando a errada decisão política, defendemos a privatização da sua gestão, o que nos parece ser, ainda agora, a melhor opção. Tal não é a opinião de um movimento liderado por António Pedro Vasconcelos – figura pública que dispensamos de apresentar –, que tenta uma vez mais travar a iniciativa do atual governo, por finalmente ter percebido que sozinha a TAP morre.

Recorde-se, também, que em 2019 metade do capital da TAP era privado e eram os privados, que mandavam totalmente na gestão da companhia. Os resultados de 2019 só aconteceram porque anos antes a TAP havia sido privatizada, num processo também contestado por Vasconcelos e muitos aderentes ao movimento que anda de novo aí a circular.

Em resumo, pede-se ao governo que deixe a gestão da empresa entregue a privados, para termos TAP funcional e rentável. Tudo o resto é ideologia que não nos leva a lado nenhum.

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