Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Uma quase «história de vida» de Altino Cardoso

Na dedicatória que Jorge Sales Golias anota no exemplar do «Perfil Literário de Altino Moreira Cardoso»», chama a este volume «uma quase história de vida».

No prefácio desta biobibliografia escreve: «comecei a fazer recensões dos livros de Altino Moreia Cardoso em ambiente da Tertúlia Transmontana. Quis começar pelos autores trasmontanos vivos, residentes na área da grande Lisboa». E cita Nuno Nozelos, Bento da Cruz, Modesto Navarro, Ernesto Rodrigues. Conto isto para dizer que deviam seguir-se outros como Cláudio Carneiro. «Mas ou pela resistência ou pela crescente falta de condições da Casa acabaram por não se realizar». Referencio este pormenor que ressalta da 1ª página do prefácio do Cor. Jorge Golias para realçar o gosto deste Autor Transmontano pela recensão de obras de comprovincianos que é um sinal distintivo de quem nasce cá por cima e se radica aí por baixo.  Durante a segunda metade do século XX uma boa parte dos Transmontanos que se fizeram à vida, não tiveram outro remédio senão levar no seu saco de viagem permanente, a solidariedade dos concidadãos que se entregaram à Diáspora da Lusofonia. O século XXI regista esse sentimento telúrico de que resultaram indícios claros através do associativismo, seja nas Casas Regionais, seja em instituições de iniciativa municipal como o Grémio Literário, seja de vontades coletivas como a Academia de Letras de Trás-os-Montes, o Grupo Cultural Aquae Flaviae, o Fórum Galaico-Transmontano…

Retomo o «Perfil literário de Altino Cardoso» que tem mais títulos editados do que anos de vida. Certamente foi esse o espírito de Jorge Golias quando chamou a estas 174 páginas «uma quase história de Vida» Dele poderíamos esperar, pelos menos seis volumes como este, bastando desenvolver mais cada uma das modalidades artísticas que cita na capa como subtítulo: Música, literatura, jornalismo, história, pedagogia e teatro. Estas seis vertentes criativas, num só livro, para quem não conhece a complementaridade criativa do intelectual da freguesia de Loureiro (Régua) pode duvidar do que aqui afirmo. Mas prezo-me de ter sido seu condiscípulo desde 1953 até 1962. Foram nove anos em que aprendi muito com muitos e bons professores. Mas também ele, que sobretudo, no campo da música muito me ensinaram: o saudoso Mons. Minhava, o José Luís Borges Coelho, atual responsável técnico pela Casa da Música do Porto e o Altino Cardoso. Sempre fui um aluno da aprendizagem permanente, tanto com docentes, como com discentes. Tenho muito orgulho nisso, quer no Seminário, quer nas Universidades pelas quais passei.

Este Perfil Literário, magistralmente coordenado pelo escritor e recensor Jorge Golias, merecia servir de tema da personalidade criativa do seu autor. Fazem-se hoje trabalhos académicos de figuras ocas, por dentro e por fora. Quem pega neste ícone da cultura Portuguesa?

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