Quarta-feira, 6 de Julho de 2022

Única candidatura em Vila Real com mais atrasos

Vários profissionais da área da Saúde, assim como a população, em geral, foram chamados a debater a criação das Unidades de Saúde Familiar, o projecto governamental de reconfiguração dos cuidados primários de saúde que, em Vila Real, conta, ainda, com apenas uma candidatura e cujo processo de criação sofreu um novo atraso, estando previsto, para […]

Vários profissionais da área da Saúde, assim como a população, em geral, foram chamados a debater a criação das Unidades de Saúde Familiar, o projecto governamental de reconfiguração dos cuidados primários de saúde que, em Vila Real, conta, ainda, com apenas uma candidatura e cujo processo de criação sofreu um novo atraso, estando previsto, para Fevereiro, o início das obras de adaptação do Centro de Saúde de Mateus.

 

Já são 69, num universo de 132 a nível nacional, as Unidades de Saúde Familiares (USF) que estão em fase de constituição. Entre elas, está a estrutura prevista para o Centro de Saúde de Mateus, em Vila Real, que, segundo José Maria Andrade, Coordenador da Sub-Região de Saúde de Vila Real, o qual participou num debate organizado pelo Partido Socialista (PS), no dia 8, deverá ver iniciadas as suas obras, no próximo mês.

“O projecto de arquitectura está pronto e estão em fase de conclusão os projectos de especialidade, como, por exemplo, o saneamento e as redes eléctrica e de informática”, sublinhou o Coordenador da Sub-Região de Saúde, justificando o atraso das obras previstas para início deste mês, com a complexidade inesperada da intervenção.

Segundo o mesmo responsável, a USF e o Centro de Saúde número dois funcionarão de forma completamente independente, partilhando, apenas, espaços de apoio, como salas de reuniões, lavanderias ou outras.

José Maria Andrade sublinhou que a unidade de familiar entrará em funcionamento após a realização de obras de adaptação e, contando com o serviço de nove médicos, nove enfermeiros e seis administrativos, vai passar a cobrir um universo de mais de 16 mil utentes, três mil dos quais provenientes do Centro de Saúde número um que ainda não tem médico de família atribuído.

Relativamente à escassa apresentação de candidaturas, no distrito de Vila Real, o Coordenador da Sub-Região de Saúde explicou, ao Nosso Jornal, que o fenómeno se prende não com o desinteresse dos médicos em se organizar, mas com o facto de, no distrito, já existir uma elevada percentagem de satisfação dos utentes para com os serviços, sendo de recordar que a taxa de cobertura de Vila Real, ao nível de médicos de família, se aproxima muito dos 100 por cento.

“Temos feito esforços, para mobilizar os médicos”, garantiu José Maria Andrade, revelando que, apesar de não haver mais candidaturas formalizadas, já existem movimentações, noutros Centros de Saúde, e, mesmo, para a criação de uma segunda unidade, no Centro de Saúde de Mateus.

“As Unidades de Saúde Familiares são o pontapé de saída daquilo que tem que ser a grande reforma dos cuidados primários de saúde”, sublinhou Carlos Nunes, membro da equipa nacional da Missão para os Cuidados de Saúde Primários que, em conjunto com Henrique Botelho, da mesma organização mas responsável pela equipa regional de apoio da Administração Regional de Saúde do Norte, respondeu às dúvidas dos profissionais vila-realenses, fazendo o retrato do panorama nacional das USF, adiantando que, das 132 candidaturas apresentadas, 67 foram aprovadas e 43 estão já em funcionamento, o que representa um aumento de 250 utentes por médico envolvido, ou seja, “um ganho de 91 mil utentes”, abrangidos pela rede de médicos de família.

“Quando atingirmos as 100 unidades, entraremos num ponto de não retorno”, sublinhou Henrique Botelho, advertindo, no entanto, que “ninguém será obrigado a aderir ao processo”.

 

Maria Meireles

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