A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e o Exército Português assinaram, no dia 15, um protocolo de cooperação que pretende “ampliar a relação” entre as duas instituições, permitindo mesmo a criação de uma pós-graduação em jornalismo em cenários de guerra, que será implementada já no próximo ano lectivo.
Carlos Sequeira, reitor da UTAD, explicou que a colaboração agora oficializada vai permitir “ultrapassar a mera jornada de formação em jornalismo em cenários de guerra e criar uma pós-graduação efectiva, com todas as suas variáveis”.
No âmbito do protocolo, as duas instituições comprometem-se a “colaborar através de uma permuta de recursos humanos e materiais, de informação e demais actividades de interesse comum para ambas”, sendo de destacar especificamente, “programas de cooperação ao nível da docência nos aspectos científicos, pedagógicos e de investigação, exercício mútuo de actividades docentes e discentes, e a realização de acções formativas”.
O General José Luís Pinto Ramalho, Chefe do Estado-Maior do Exército, sublinhou que, além da abertura dos recursos humanos militares, nomeadamente os existentes no Centro de Investigação da Academia Militar (CINAMIL), para a participação no corpo docente da pós-graduação da UTAD, também será facilitada a “participação de oficias em cursos de formação, mestrado ou doutoramento” leccionados pela universidade transmontana.
Outro projecto que irá beneficiar com o estreitar da relação com o exército é o Observatório dos Conflitos Armados, um organismo criado há cerca de um ano no seio da Escola das Ciências Humanas e Sociais da UTAD e que tem como objectivo analisar todos os parâmetros que contribuem para o despoletar de uma guerra, “no sentido de antever, prever, classificar e mesmo ter uma intervenção para sanar”, referiu Carlos Sequeira.
“Um conflito armado resulta de um conjunto de componentes sociais, religiosas, políticas, ambientais e económicas. Estamos a dar ainda os primeiros passos, mas é nesta área de investigação que este protocolo irá intervir e consolidar”, sublinhou o mesmo responsável.
O Chefe do Estado-Maior do Exército lembrou que a assinatura do protocolo representou “o culminar de uma relação que se tem desenvolvido ao longo do tempo e que hoje tem condições para se ampliar”.
Mais, o mesmo responsável militar recordou que ao longo dos últimos cinco anos o Exército Português tem vindo a aproximar-se mais da sociedade a vários níveis, “quer através destas parcerias que têm vindo a ser estabelecidas, quer na postura das unidades junto dos universos que lhes são próximos, com as organizações da sociedade em termos locais”, destacando o desempenho do Regimento de Infantaria 13, em Vila Real, como “um bom exemplo” desse esforço.
A parceria com instituições e organizações locais bem como a participação activa dos militares em “missões de interesse público, seja no trabalho e proveito das populações, seja na contribuição, por exemplo, nos períodos dos fogos florestais ou de cheias”, têm aproximado o Exército das populações e demonstrado a capacidade dos militares de “dar resposta” às chamadas das autarquias, da Protecção Civil e do Instituto das Florestas, entre outros organismos. “Indo ao limite dos recursos que nos estão disponíveis, já demos provas que somos capazes de responder junto dos mais graves incidentes, como foi, por exemplo, o caso das cheias na Madeira”, frisou José Luís Pinto Ramalho.




