Manuela Cunha, dirigente do PEV, disse, em conferência de imprensa, que o seu partido dá hoje início a uma campanha de luta pela reativação da Linha do Corgo, que até 2009 ligava Vila Real à Linha do Douro, no Peso da Régua.
“Quisemos manifestar também a total rejeição à possibilidade de o edifício da estação ferroviária de Vila Real vir a ser transformado em hotel e lamentamos que a Câmara tenha dado um parecer favorável”, afirmou.
A Infraestruturas de Portugal (IP) abriu a possibilidade de concessionar o edifício da estação, sendo uma das hipóteses apontadas uma unidade hoteleira.
No entanto, fonte oficial da IP disse hoje à agência Lusa que “estão em curso os estudos sobre o projeto para a antiga Estação de Vila Real e envolvente, que contemple a requalificação de toda a zona bem como um espaço para as instalações da sede da Infraestruturas de Portugal na cidade”.
O executivo camarário de Vila Real deu parecer favorável à reabilitação daquele espaço, onde será mantido o canal da antiga linha ferroviária.
Manuela Cunha considerou que a reativação da linha “é exequível” e frisou que se trata de um investimento na mobilidade das populações do vale do Corgo e que poderá potenciar o turismo neste território.
“É uma aposta no desenvolvimento do Interior e uma forma de dar resposta adequada às alterações climáticas”, frisou.
O PEV defende, segundo a dirigente, o transporte coletivo ferroviário como uma das medidas fundamentais para responder ao problema das alterações climáticas.
Manuela Cunha lembrou ainda o investimento que está em curso na eletrificação da Linha do Douro, considerando que “faz todo o sentido” complementar esta oferta com a Linha do Corgo que pode servir uma “importante cidade” do Interior do país, como é Vila Real.
A responsável referiu que o PEV vai promover um conjunto de iniciativas, como uma reunião com a direção da Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), estando também já pedidas audiências com os autarcas de Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua e com outras entidades da região.
“O comboio é uma resposta fundamental que a nova geração nunca conheceu, a nova geração da UTAD não conhece este acesso ferroviário, mas é um transporte que, durante anos, serviu os estudantes da UTAD”, salientou.
Por isso mesmo, "Os Verdes" querem juntar os estudantes a “esta luta”.
A Linha do Corgo foi suspensa em março de 2009, uma decisão tomada pelo Governo depois de uma inspeção que terá detetado que o percurso não estava nas melhores condições de segurança.
Na altura, o Governo anunciou um investimento na melhoria das condições de segurança da linha, mas esta acabou por fechar definitivamente, tendo sido retirados os carris e as travessas, mas mantendo-se o canal de 25 quilómetros.


