Quarta-feira, 6 de Julho de 2022

Vila Real apresenta níveis preocupantes de radão

Poucos serão os vila-realenses que conhecem o significado da palavra radão, mas alguns, especialmente os que vivem no centro da cidade de Vila Real e com habitações construídas sobre rochas de granito, convivem com ele, todos os dias. Um gás radioactivo imperceptível aos sentidos humanos mas que pode causar problemas de saúde, nomeadamante o cancro […]

Poucos serão os vila-realenses que conhecem o significado da palavra radão, mas alguns, especialmente os que vivem no centro da cidade de Vila Real e com habitações construídas sobre rochas de granito, convivem com ele, todos os dias. Um gás radioactivo imperceptível aos sentidos humanos mas que pode causar problemas de saúde, nomeadamante o cancro do pulmão. Apesar de não se pode acabar com ele, diminuir a concentração de radão é fácil, barato e recomendável.

 

Segundo um estudo, apresentado, no dia 8, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), “Vila Real é uma das cidades que apresenta as maiores concentrações de radão”, um gás inodoro, incolor e insípido, de origem natural, radioactivo, que provém das pequenas quantidades de urânio e rádio presentes na maior parte dos solos e rochas e que representam um efeito nocivo ao homem, sendo responsável, por exemplo, por neoplasias pulmonares.

“Quando se fala de radiação, as pessoas associam logo o conceito aos efeitos de centrais nucleares ou às radiações médicas dos exames diagnósticos, mas esquecem-se que a principal fonte de radiação a que os seres humanos estão sujeitos é a radiação natural”, explicou Fernando Manuel Pinto Nunes Coelho, investigador responsável pelo estudo intitulado: “Distribuição de radão em habitações da Região de Vila Real: condicionantes geológicas”.

Segundo o mesmo responsável, a população sempre esteve e continuará a estar exposta à radioactividade natural, da qual o radão é um dos exemplos mais importantes. No entanto, em algumas habitações, principalmente nas construídas sobre rochas graníticas, os valores encontrados de concentração deste gás são elevados”.

Apesar de não haver estudos, em Portugal, sobre a relação entre a concentração do radão e os efeitos nocivos à saúde pública, Fernando Nunes Coelho adiantou que, por exemplo, nos Estados Unidos, estudos indicam que entre 15 a 20 mil casos de cancro do pulmão estão associados à exposição a este gás”.

Segundo a tese de mestrado do professor (docente do Colégio Salesiano de Poiares, Peso da Régua) que mediu o potencial radiométrico e as concentrações de radão, em 125 habitações, no centro da cidade e na aldeia de Arnal, entre Dezembro de 2004 e Fevereiro de 2005, Vila Real apresenta elevadas concentrações de radão nas habitações que assentam no granito, contando com “uma média de 364 Becquerel por metro cúbico (Bq/m3), presente no centro histórico e a Noroeste da cidade, tendo-se verificado uma proporção significativa de habitações com valores de radão superiores aos recomendados pela legislação nacional. Por sua vez, as habitações que assentam em xistos são as que apresentam as médias mais baixas de radão (236 Bq/m3), com uma reduzida percentagem de habitações que excedem os valores recomendados”.

Fernando Nunes Coelho fala “em risco para saúde pública”, revelando que a média anual da cidade foi calculada em 300 Bq/m3, sendo de realçar que, enquanto em Portugal a legislação estipula um valor máximo permitido de 400 Bq/m3 , outros países contam com uma legislação muito mais apertada, como é o caso dos Estados Unidos, onde o máximo permitido é de 150 Bq/m3.

“Uma das medidas preventivas, simples e barata, é a construção de caixas-de-ar ventiladas, nos alicerces”, sublinhou o mesmo responsável, adiantando que a ventilação da habitação também pode ser utilizada para libertar o gás, existindo, ainda, outras formas, como a utilização de equipamentos, para aumentar a pressão da casa ou a utilização de extractores, para fazer a sucção do radão.

A tese de mestrado será responsável pela elaboração de cartas de potencial radão que deverão ser tidas em conta na ordenação dos planos de ordenamento do território, “não com o objectivo de criar zonas com proibição de construção, mas para assinalar áreas onde essas construções devem adoptar medidas de minimização”, adiantou Fernando Coelho, referindo, mesmo, que existem concelhos que já encomendaram, propositadamente, estudos sobre a concentração deste gás, no âmbito da revisão dos seus Planos Directores Municipais.

 

Maria Meireles

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