O Gabinete de Apoio à Vítima de Vila Real registou, no ano passado, 510 processos, o que corresponde a quatro por cento do total contabilizado no relatório anual da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e o coloca no quarto lugar do ranking das unidades com maior número de casos.
Segundo as estatísticas, a Unidade de Vila Real fica apenas atrás de Lisboa, que contabiliza 6250 processos (ou seja, perto de metade do total registado a nível nacional), Porto (1591 processos) e Coimbra (590 processos).
Na análise do número de processos de apoio por unidade orgânica, a APAV apresenta ainda, separadamente, a actividade do Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes de Vila Real, que, em 2010, registou 34 processos.
No ano em que assinalou o seu 20º aniversário, a APAV “ultrapassou a faixa dos 10.000 processos de apoio, mais precisamente 12.660, o que reflecte num aumento de cerca de 25 por cento face a 2009”, contabiliza a Associação.
Ainda no que diz respeito ao aumento do número de crimes face a 2009, e relativamente à violência doméstica, houve um acréscimo de 194 por cento no número de crimes de natureza sexual, e de 23 por cento no número de homicídios.
Já falando sobre “crimes contra as pessoas/humanidade”, o tráfico de pessoas para exploração sexual registou um agravamento 61 por cento e o número de violações cresceu 53 por cento, sendo ainda de registar um aumento de 33 por cento no número de homicídios.
O mesmo documento refere que os 12.6600 processos registados “efectivaram-se em 15.830 atendimentos e traduziram-se num universo estimado de mais de 25.000 pessoas apoiadas (directas 7.711 e indirectas: sejam filhos, pais, amigos, outros familiares, etc.)”.
A maior parte das vítimas (87 por cento) são mulheres, com idade compreendidas entre os 26 e os 55 anos. O perfil traçado pela APAV revela ainda que, na sua maioria, as vítimas de violência são casadas (39,3 por cento), portuguesas (68 por cento) e têm filhos (49,7 por cento).
Mais, a vítima tipo “são pessoas com um grau de ensino superior (4,7 por cento), vive do trabalho por conta de outrem (25,3 por cento) e reside nas grandes cidades.
“A APAV tem como missão apoiar as vítimas de crime, suas famílias e amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais, e contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas, sociais e privadas centradas no estatuto da vítima”.
A funcionar numa rede de 15 Gabinetes de Apoio à Vítima (GAV), duas Casas Abrigo, uma Unidade de Apoio à Vítima Imigrante e um Projecto também na área da Imigração, as Unidades Orgânicas (UO) da APAV estão distribuídas por todo o país, sendo de sublinhar que, na região transmontana está sedeada no edifício do Governo Civil de Vila Real.



