“Nuno Grande” e “Corgo”, assim se chamam as novas duas Unidades de Saúde Familiar (USF) de Vila Real, que, a funcionar no Centro de Saúde número 1, contam com um total de 16 médicos e vão servir perto de 28 mil utentes.
Idealizadas no âmbito de um processo de reconfiguração dos Centros de Saúde, as USF são “unidades funcionais multiprofissionais (médicos, enfermeiros e administrativos), com autonomia funcional e técnica, que presta cuidados de saúde primários personalizados, num quadro de contratualização interna, envolvendo objectivos de acessibilidade, adequação, efectividade, eficiência e qualidade”.
No caso das duas novas Unidades, ambas vão contar com oito médicos, oito enfermeiros e seis elementos do secretariado clínico.
Servindo cada uma cerca de 14 mil utentes, as duas novas estruturas vão assim garantir a cobertura total do concelho. “Passamos a não ter qualquer pessoa sem médico de família”, explicou Carlos Miranda, director do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Douro I.
Apesar da existência do número suficiente de médicos para dar resposta às necessidades da população, ainda muitos profissionais não têm a sua pasta de utentes completa, pedindo-se portanto à fatia da população que ainda não tem médico de família que se dirija ao centro de saúde da sua área de residência para regularizar a situação.
Numa primeira fase, as duas USF estão a funcionar no Centro de Saúde número 1, no entanto, o presidente do ACES adiantou ao Nosso Jornal que durante os primeiros meses do próximo ano deverão estar concluídas as obras do edifício da Quinta do Trem (junto ao Hotel Miracorgo), que servirá assim de morada definitiva da USF Nuno Grande.
Neste momento, em Vila Real, a distribuição dos médicos de famílias é feita pelas três Unidades de Saúde Familiar e ainda pela Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados, que funciona em Mateus.
“Quando ouvimos falar em concelhos com milhares de utentes sem médicos de família, já podemos afirmar que essa não é a nossa realidade”, sublinhou Carlos Martins, explicando ainda que através dessa reorganização dos centros de saúde em unidades funcionais, a saúde ganhou muito.
“Estamos a falar de equipas criadas pelos próprios profissionais de saúde, que se auto-gerem. Uma das grandes vantagens é exactamente a confiança no compromisso assumido”, referiu o mesmo responsável.
No que diz respeito à zona do ACES Douro I, ainda não há outras USF criadas, no entanto, Carlos Martins sublinhou que, com a criação das três na capital de distrito, com “o exemplo positivo que se conseguiu dar”, já se sentem algumas movimentações noutros concelhos que poderão resultar na criação de mais unidades.
Em resultado da entrada em funcionamento das três unidades de saúde, e da cobertura total do concelho em termos de médicos de famílias, a ACES procedeu também a uma reestruturação no horário do Serviço de Atendimento Complementar (ex-Serviço de Atendimento a Situações Urgentes), que, localizado na Quinta da Redonda (próximo do Centro de Saúde Número dois), passa agora a funcionar apenas ao fim-de-semana, das 8h00 às 20h00.
Carlos Martins defende que, na situação actual, “não fazia sentido” o funcionamento daquele serviço durante os dias de semana, isso porque as USF garantem um horário alargado das 8h00 às 20h00 e também podem ser utilizadas para um atendimento esporádico. “Aquele não era um serviço de urgências, era um serviço complementar”, reforçou o mesmo responsável, recordando que muitas pessoas utilizavam-no de forma regular, para evitar ter que ir durante o dia ao seu médico de família ou centro de saúde.





