Terça-feira, 18 de Janeiro de 2022
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Vinte anos de Douro com menos pessoas

Na apresentação das comemorações dos 20 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro (ADV) como Património da Humanidade os números não enganam.

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Os habitantes da Região Demarcada do Douro, nestes vinte anos, desceram de 220 para 190 mil. Seria mau se ficássemos pelo enunciado destes números. Por isso, gostei de ler o artigo do Presidente da CCDR-N, Professor António Cunha, assim como as suas declarações que a TSF transcreveu: “enquanto as pessoas não tiverem níveis de rendimento que sejam adequados à sua manutenção acabarão por sair”.

Quando em 2001 foi aprovado na Assembleia da República um voto de congratulação pela integração na lista de Patrimónios da Humanidade da UNESCO a zona histórica de Guimarães e o Alto Douro Vinhateiro podia ler-se: “num como noutro caso, a classificação agora obtida pode constituir também fator de maior atratividade turística e, assim, de maior desenvolvimento da cidade e da região”. E relativamente ao ADV, quem redigiu o texto não se esqueceu de referir que a “classificação reconhece e valoriza a intervenção equilibrada do homem na natureza (…)”, que transformou “a montanha deserta em jardim suspenso”, nas palavras de Jaime Cortesão.

Foram as pessoas que construíram “os jardins”. Por isso, António Cabral canta num dos seus poemas: “nem Baco, nem meio Baco!:/ Aqui é o Homem,/desde as mãos ossudas e calosas,/desde o suor/ao sonho que transpõe as nebulosas.” Atente-se, agora, na seguinte afirmação do Presidente da CCDR-N: “O que tornará esta celebração especial (…) é o facto de colocar no centro da sua programação e do seu debate as pessoas.” Fundamental. Têm ocorrido falhas graves quando se pretende fazer algo que tenha a ver com desenvolvimento do Douro – social, económico ou cultural – e se trazem sistematicamente pessoas que nada ou pouco têm a ver com a região. Vêm servir o Douro e os durienses? Ou servir-se?

Tomei boa nota de que, finalmente, a Mátria está apta a subir ao palco. Uma ideia brilhante que recebeu da UTAD toda a compreensão e apoio. Eduarda Freitas e Fernando Lapa trabalharam muito para interpretar em forma de ópera “O Douro sublimado. Um poema geológico. A beleza absoluta.” de Torga. Já passaram uns anos em que esta labuta começou. Por cá, tudo demora muito. Desde fazer os muros de xisto até conseguir um apoio para fazer nascer um museu ou desenvolver um projeto de desenvolvimento. Imprescindível, sempre, ter presente as pessoas e envolvê-las.

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