Domingo, 3 de Julho de 2022

Vitória feliz

Depois da confirmação da descida de divisão, o Vila Real deslocou-se a Canedo, para defrontar uma equipa que já há muito tinha descido aos campeonatos regionais. Um jogo entre duas equipas que nada tinham a discutir ou a decidir. Sem pressão, os jogadores poderiam ter proporcionado um bom espectáculo aos poucos adeptos que se deslocaram […]

Depois da confirmação da descida de divisão, o Vila Real deslocou-se a Canedo, para defrontar uma equipa que já há muito tinha descido aos campeonatos regionais. Um jogo entre duas equipas que nada tinham a discutir ou a decidir. Sem pressão, os jogadores poderiam ter proporcionado um bom espectáculo aos poucos adeptos que se deslocaram ao pelado de Canedo. Mas, apesar do frenético início do jogo, com ambas as equipas à procura do golo, à medida que o jogo avançou no tempo, foi perdendo qualidade. Houve momentos em que chegou a ser paupérrimo o ‘espectáculo’ dentro das quatro linhas, com os jogadores a perderem constantemente a bola, numa sequência impressionante de passes errados de ambas as formações.

Foi mais feliz a equipa do Vila Real que, nas poucas oportunidades que conseguiu criar, acabou por fazer dois golos, através de Maniche. Já a equipa da casa, apesar do maior domínio territorial e das várias ocasiões de que dispôs, apenas conseguiu marcar um golo que ditou mais uma derrota para uma equipa que atravessa uma grave crise financeira, a qual poderá, mesmo, ditar o fim do clube, nos campeonatos de futebol.

Apesar da despromoção dos dois emblemas, o jogo começou a grande velocidade, com as equipas a tentar chegar junto das balizas, com perigo. Começaram melhor os forasteiros, quando Olivier cruzou, para o segundo poste, onde apareceu Maniche, solto, a cabecear, para o fundo das redes. Uma boa jogada de entendimento do ataque “alvi-negro” que culminou num bom golo.

Mas, rapidamente, os homens da casa iriam restabelecer a igualdade. Volvidos três minutos, Nino fez o golo, com um remate rasteiro, mas bem colocado. Vieira ainda se lançou, para defender, mas não conseguiu suster o forte remate do centro campista. Foi o que de melhor conseguimos ver, na primeira parte. Depois do bom ritmo destes minutos iniciais, o jogo decaiu de qualidade, com muitos passes errados, de ambos os lados. Até ao intervalo, houve, apenas, dois lances dignos de registo. Um para cada lado. Aos 30 minutos, foi a vez de Filipe Lemos, na marcação de um livre, levar muito perigo para a baliza de Rui, mas a bola saiu a centímetros do poste. Também os visitados poderiam ter chegado à vantagem, por intermédio do “capitão” Nuno. Houve um cruzamento, para o interior da área, Nuno antecipou-se aos centrais e cabeceou, ao lado do poste da baliza de Vieira.

Ao intervalo, ambos os técnicos pareciam satisfeitos, uma vez que nada mudaram para o reatar da partida. Logo, nos minutos iniciais, foram, de novo, os forasteiros a criar muito perigo. Mas, desta vez, Ricardo substituiu o defesa. Maniche, cabeceando para a baliza e, sobre a linha, Ricardo, com tudo para fazer o golo, acabou por fazer um autêntico passe ao guarda-redes. Perdida incrível do avançado vila-realense. A resposta surgiu, através de Nuno, num remate forte, para grande intervenção de Vieira, a aliviar, pela linha de fundo. Seguiu-se mais uma oportunidade. De novo, o “capitão” a cabecear, mas sobre o travessão. Era o sinal mais da equipa da casa que gostaria de se despedir dos seus adeptos com uma vitória, mas, apesar do empenho e esforço demonstrados, não mais conseguiram violar a baliza de Vieira.

Já o Vila Real, a jogar em contenção e depois de algumas rectificações operadas por Zeca Lopes, ganhou maior ímpeto, no centro nevrálgico do terreno. A partir de então, passou a criar outras dificuldades à frágil defesa da casa. Aos 77 minutos, Rui teve uma falha fatal que Maniche aproveitou, para fazer o segundo golo da sua equipa. Ricardo cruzou para a área, Rui e os centrais falharam a intercepção, Maniche aproveitou e, com o peito, acabou por estabelecer o resultado final. No minuto seguinte, mais uma boa ocasião, para Maniche que, no entanto, se atrapalhou, acabando por rematar ao lado. Até ao final, o Canedo tentou chegar ao empate, mas não teve a força anímica suficiente para voltar a marcar. Despediu-se, assim, com uma derrota, face aos seus associados e simpatizantes que, apesar da gratuidade da entrada, foram muito poucos a deslocara-se ao Campo das Valadas.

Quanto ao Vila Real, acabou por ser mais feliz, mas essa felicidade foi ténue, uma vez que a vitória não salva a equipa da despromoção que já se tinha sido confirmada, na jornada anterior.

A equipa de arbitragem, vinda de Coimbra, acabou por não complicar aquilo que era fácil e obteve nota alta, na actuação que produziu.

Márcia Fernandes

 

ZECA LOPES, treinador do VILA REAL

“Tivemos alguma sorte”

O técnico vila-realense ficou mais satisfeito com o resultado do que com a exibição, uma vez que o Vila Real teve a sorte que lhe faltou em tantos jogos deste campeonato.

“Entrámos muito bem no jogo. Sempre a pressionar o último terço do terreno e, com naturalidade, chegámos à vantagem, numa boa jogada do nosso ataque. Poucos minutos depois, uma desatenção da nossa defensiva ditou o golo do empate. A partir daqui, o Canedo teve maior domínio do jogo, mas fomos aguentando bem. No segundo tempo, fizemos algumas rectificações e conseguimos marcar o segundo golo e vencer o jogo. Hoje, tivemos a sorte que nos faltou em muitos outros jogos, mas é assim o futebol. É pena que esta vitória já nada decida, em termos de campeonato”.

 

ALBERTINO OLIVEIRA, treinador do CANEDO

“Parabéns ao Vila Real”

O técnico derrotado acabou por aceitar, com desportivismo, a derrota da sua equipa, mas salientou o facto de a sua equipa ter lutado, até ao fim, por outro resultado.

“Apesar de tudo, penso que não foi um resultado justo. Tivemos oportunidades para marcar, mas não conseguimos. O Vila Real foi uma equipa muito forte, no contra-ataque, acabando por marcar dois golos e vencer o jogo. Endereço-lhe os parabéns, pela vitória. Não podemos fazer mais nada. O nosso futuro já há muito estava traçado e, com as dificuldades que o clube atravessa, não é fácil gerir um plantel”.

Quanto à próxima época, o técnico do Canedo tem poucas esperanças na continuidade à frente do clube.

“Ainda está tudo por definir. O futuro não se avizinha fácil, para uma equipa que tem graves problemas directivos e, sobretudo, financeiros”.

 

FICHA TÉCNICA

 

Jogo disputado no Campo das Valadas, em Canedo.

Árbitro: Jorge Miguel.

Auxiliares: Álvaro Martins e Freitas da Costa.

CANEDO – Rui Oliveira; Bruno (Riça, 72’), João Carlos, Cancela e Joel; Miguel, João Paulo, Nino e Pedrinho; Nuno e Márcio (Zito, 80’).

Suplentes não utilizados: Marco Aurélio, Marcelo e Bruno.

Treinador: Albertino Oliveira.

VILA REAL – Vieira; Braima, Sandro, Igor e Caniggia; Vitó, Ruben, Olivier (Kalá, 65’) e Ricardo (Bruno, 92’); Maniche e Lemos (Luís Alves, 60’).

Suplentes não utilizados: Jorge, João Miguel, Conceição e Zeferino.

Treinador: Zeca Lopes.

Cartões amarelos: Bruno (32’), Caniggia (66’), Luís Alves (72’), Cancela (74’), Vitó (86’) e Nino (87’).

Ao intervalo: 1-1.

Marcadores – Maniche (9’ e 77’), para o Vila Real; Nino (12’), para o Canedo.

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