Cenas lamentáveis foram aquelas a que assistimos, no final do encontro que opôs o líder, Vila Real, ao Pegarinhos. Já no exterior do campo de jogos, houve pancadaria, entre adeptos da equipa local que se envolveram em cenas lamentáveis. Da confusão gerada resultou um ferido ligeiro.
Quanto ao jogo, o Vila Real encontrou grandes dificuldades, para conquistar os três pontos, perante o esquema táctico montado pelo técnico José Teixeira. O Pegarinhos, com um meio campo possante e bem povoado, não dava espaços aos criativos “alvi-negros” que sentiam muitas dificuldades em dominar o centro nevrálgico do terreno e partir para o ataque. Pouco habituados a jogar em terrenos pelados, os vila-realenses não conseguiram explorar os flancos, onde as bolas nem sempre chegavam nas melhores condições aos extremos.
Descomplexados, os homens da casa entraram em jogo com o objectivo claro de não perder. E muito lutaram, para alcançarem esse objectivo. Personalizados e sem medo de enfrentar o actual líder, colocaram em campo toda a sua energia, para travar o adversário. Conseguiram manter longe da sua área os homens mais avançados do Vila Real e os lances de perigo foram raros, nos primeiros 45 minutos. Excepção a um remate de cabeça de Nuno Fredy, na sequência de um pontapé de canto de Meia, ao qual o guarda-redes Mãozinhas correspondeu, com uma boa intervenção. Decorria o minuto 15. Muito pouco para uma equipa que se assume como o grande candidato à subida de divisão. Nuno Meia que se tem revelado como o grande protagonista da equipa “alvi-negra”, não conseguiu explanar o seu futebol, com uma marcação cerrada montada pelo Pegarinhos. A jogar muito apoiados, estavam sempre sobre dois homens sobre o jogador que tinha a bola, não dando espaço para este prosseguir com os lances.
Apesar do nulo verificado ao intervalo, para o segundo tempo, o técnico Luís Pimentel, apostou o mesmo onze. Logo a abrir, Gabriel colocou no coração da área, onde Meia apareceu, a rematar, mas um defesa interceptou o lance. A resposta surgiu, cinco minutos mais tarde, com Rui Pegarinhos a colocar à prova a atenção de Vieira.
O jogo estava vivo, com um claro ascendente para os visitantes que tentavam chegar ao golo. Mais velozes, colocavam a defesa da casa em alerta máximo, que sentiam, agora, mais dificuldades, para travar os avançados vila-realenses. Aos 56 minutos, Castanha rematou ao poste, depois de um excelente trabalho de Luís Carlos, no lado esquerdo. Era claramente um Vila Real mais ofensivo, à procura do golo e as oportunidades iam aparecendo. Gabriel teve nos pés essa possibilidade. Mãozinhas falhou a intercepção do lance, Gabriel, em boa posição, rematou, mas a bola saiu a rasar o poste. Na jogada seguinte, Meia rematou forte, mas a bola bateu, com estrondo, na trave. Adivinhava-se o golo forasteiro. Até que, ao minuto 66, o árbitro assinalou uma grande penalidade, por suposta mão na bola, dentro da área. Um lance muito contestado, pelos adeptos da casa. Chamado a converter o castigo máximo, Meia rematou, denunciado, e Mãozinhas conseguiu desviar, mas Ernesto, na recarga, não falhou e faz o único golo da partida.
A perder, a equipa de Pegarinhos veio à procura do golo. O Vila Real recuou as suas linhas e teve que defender, com “unhas e dentes” o resultado. Na marcação de um livre, Carvalho levou a bola a bater na trave. Já perto do final, mais um grande oportunidade para a equipa da casa. Desta vez, Vieira, com as pontas dos dedos, negou o golo a Rui Pereira. Esteve à vista o golo do empate. Mas, eram os últimos minutos do encontro e já não havia tempo, para mais.
Boa réplica dos comandados de José Teixeira que obrigaram o Vila Real a sofrer muito, para conquistar os três pontos.
Luís Pimentel, treinador
do Vila Real
“Vitória justa da melhor equipa”
O técnico vila-realense ficou satisfeito com a vitória e referiu que a sua equipa foi a melhor, apesar das dificuldades sentidas na recta final do encontro.
“Sentimos algumas dificuldades para vencer, pois marcámos, apenas, um golo. Penso que, até ao golo, fomos claramente a melhor equipa, tivemos as melhores oportunidades de golo, com as bolas nos postes, na trave e o guarda-redes, também, defendeu muito bem. Curiosamente, quando conseguimos marcar, a equipa que deveria ter encontrado a tranquilidade não a encontrou. Os jogadores recuaram e ficaram um pouco nervosos. Foi aí e já perto do final que o Pegarinhos subiu no terreno e tentou o empate. Nós, já reduzidos a dez elementos, tentámos aguentar a pressão e o Vieira acabou por segurar esta vitória que, no meu entender, é extremamente justa”.
Quanto ao trabalho da equipa de arbitragem, Luís Pimentel, classificou-o como “fraco”, acrescentando: “No lance da grande penalidade, esteve bem, uma vez que o jogador levantou o braço e cortou a bola, dentro da área. Mas, a partir daí, foi o descalabro total que culminou na expulsão do Leirós. Foram demasiados erros”.
José Teixeira, treinador
do Pegarinhos
“O empate seria o resultado
certo”
O técnico da casa ficou satisfeito com a entrega da sua equipa e referiu que o resultado mais justo seria o empate.
“Embora o Vila Real tenha uma outra postura em campo e uma melhor organização, o Pegarinhos bateu-se bem e o empate era o resultado certo para este jogo. Já no jogo de Cerva, os meus jogadores estiveram bem, mas cometeram erros que culminaram na derrota pesada. Hoje, estiveram com mais concentração e fizeram aquilo que lhes pedi. O Pegarinhos tem uma boa equipa e vai tentar fazer um bom campeonato. O nosso objectivo é a manutenção e estou com a esperança de que vamos conseguir”.
Sobre a arbitragem, referiu: “O árbitro, em geral, fez um bom trabalho. Houve um lance que me deixou muitas dúvidas, na área do Vila Real, mas o árbitro entendeu que houve falta fora da área. Mas, na minha opinião, se houve falta, essa foi, claramente, dentro da área”.
Márcia Fernandes
FICHA TÉCNICA
Jogo disputado no Campo Nossa Senhora dos Aflitos.
Árbitro: Nuno Bento.
Auxiliares: Luís Fraga e Fernando Neves.
PEGARINHOS – Mãozinhas; Hugo, Miguel Silva, Fraga e Rui Pereira; Fernando (Gomes, 62’), Carvalho, Teixeira (Patarras, 58’) e Rui Pegarinhos; José Luís e Henrique Silva.
Suplentes não utilizados: Oliveira, Rainha, Eduardo, Marcelo e Guilherme.
Treinador: José Teixeira.
VILA REAL – Vieira; Miguel, Luís Carlos (Palhares, 80’), Fredy e Peixoto; Ernesto, Fraguito, Leirós e Gabriel (Pedro Alves, 72’); Nuno Meia e Castanha.
Suplentes não utilizados: Carlos, Conceição, Mica e Zé Monteiro.
Treinador: Luís Pimentel
Cartões amarelos: Fraga (65’), Rui Pereira (66’), Luís Carlos (70’), Henrique Silva (72’), Ernesto (75’), Leirós (85’ e 86’) e Nuno Meia (88’).
Cartão vermelho: Leirós (86’).
Ao intervalo: 0-0.
Marcador – Ernesto (67’).



