“Foi constatado que é com muita frequência que a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) é utilizada para transportes secundários deixando a descoberto uma grade área transmontana”, denunciou Nelson Coimbra, do Conselho Diretivo da Ordem dos Enfermeiros (OE), à margem de uma visita feita, no dia 12, ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD).
A situação, segundo o mesmo responsável, prende-se com a utilização da equipa da VMER no acompanhamento do transporte de doentes desde o hospital de Vila Real para as unidades do Grande Porto. “Esta viatura médica tem uma grande área de abrangência e muitas das vezes é desviada para realizar transportes inter-hospitalares. Ou seja, deixa de realizar o transporte primário, a função para a qual inicialmente foi criada, a assistência aos traumatizados e às vítimas que estão no domicílio”, explicou.
A situação pode ter “consequências” no caso, por exemplo, de haver um acidente grave nas imediações, a VMER estar ocupada para outros fins e “este traumatizado deixar de ter uma assistência diferenciada”.
Nelson Coimbra adiantou que o “problema está identificado” e que a solução passa “pela criação de equipas especializadas (médico e enfermeiro) para transportes inter-hospitalares de doentes críticos”, uma medida que até já foi “contemplada por despacho” mas que “ainda não está implementada”.
No âmbito da visita que pretendeu “auscultar” os profissionais no terreno, a OE constatou também que no CHTMAD um dos grandes problemas está na “taxa de absentismo”, um facto que coincide com “a passagem das 35 para as 40 horas de trabalho”. “Os enfermeiros estão cansados, estão exaustos e, em consequência dessa exaustão, há esta necessidade de colocar baixa”, testemunhou.
Outro dos problemas enumerados prende-se com “o não reconhecimento das especializações”, ou seja, “não há qualquer tipo de retorno remuneratório do ponto de vista de carreira”. “Isso pode implicar o não investimento dos enfermeiros nessas especializações, e quem ficará a perder, sem dúvida, é o cidadão, por não ter cuidados especializados”, advertiu o representante da Ordem.
Outra questão levantada foi a demora na reposição de profissionais que acedem “aos pedidos de mobilidade, por requisição de interesse público, para outras instituições, nomeadamente para o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)”, o que leva a que haja um défice de enfermeiros nos serviços.
Finalmente, durante a visita, a OE registou o “grande aglomerado de doentes crónicos no serviço de urgência”. “Verificamos que os doentes continuam a deslocar-se para o hospital sem recorrer aos cuidados de saúde primários e isso leva a grandes períodos de permanência no serviço de urgência”, confirmou, defendendo uma melhor resposta ao nível dos cuidados primários, como, por exemplo, o alargamento do horário de atendimento dos serviços de urgência básica.




