Vila RealVoluntários aceitaram o desafio de ajudar a “Salvar os Sapos”

Voluntários aceitaram o desafio de ajudar a “Salvar os Sapos”

Durante a sua época de acasalamento, centenas de sapos e outros anfíbios perdem a vida ao tentar cruzar a estrada que atravessa o Parque Natural do Alvão. Obrigar os animais a optarem por uma solução mais segura, nomeadamente passagens subterrâneas e canais de água, é o objetivo da construção de muretes, um trabalho para o qual a autarquia contou com o apoio de dezenas de voluntários.

Dinamizado pela Câmara Municipal de Vila Real, através do projeto “Seivacorgo”, o programa “Salvemos os Sapos”, juntou, nos dias 9 e 10, perto de três dezenas de voluntários que contribuíram ativamente para a construção de muretes ao longo de 1400 metros da Estrada Nacional 313, que corta o Parque Natural do Alvão, ligando a cidade a Lamas de Olo.

Aquela via, em especial o troço em causa, tem um impacto negativo no quotidiano dos sapos e de outros anfíbios, sobretudo na sua fase de procriação, tendo em conta que interfere no percurso migratório que aquelas espécies fazem para se deslocar para a zona da barragem.

Nessa altura, centenas de animais, em especialmente o sapo comum, o sapo-corredor e a salamandra-lusitânica (espécie endémica da Península Ibérica e classificada como “vulnerável” pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal), perdem a vida atropelados ao tentar fazer a travessia que os permitirá procriar.

Evitar a elevada taxa de mortalidade desses animais é então o objetivo da construção de muretes com 40 centímetros de altura que, como explicou Albertina Rosa, diretora do Parque Natural Alvão, servem de barreira para “conduzir o sapo para passagens inferiores” que permitem “que atravessem em segurança”.

Segundo a UTAD, uma das instituições parcerias na ação e que é responsável pela monitorização da taxa de mortalidade por atropelamento daquelas espécies, só no dia 13 de março, altura em que choveu, foram recolhidos 96 sapos, dos quais 66 mortos.

Miguel Esteves, vereador do pelouro do ambiente da Câmara Municipal de Vila Real, explicou que os voluntários que participaram na atividade fazem parte de uma rede de voluntariado ambiental criada pela autarquia através do Programa de Preservação da Biodiversidade do concelho, cidadãos que são chamados a participar em várias ações desenvolvidas em parceria com várias organizações, como por exemplo o Parque Natural do Alvão, a UTAD e o Núcleo de Estudo e Proteção do Ambiente (NEPA), e a colaboração de muitas outras, como por exemplo o Corpo Nacional de Escutas e a Fraternidade Nuno Álvares Pereira.

Relativamente aos restantes projeto incluídos no Plano de Preservação da Biodiversidade, Miguel Esteves adiantou que está atualmente em curso o projeto de apadrinhamento de troços de rios por turmas de várias escolas do concelho. “As turmas apadrinham troços de 500 metros, pelos quais ficam responsáveis por trabalhos de monitorização das espécies, sendo fornecidos kits e formação adequada”, explicou.

O vereador do ambiente referiu ainda que, no que diz respeito às obras de recuperação do Rio Corgo, entre as pontes da Timpeira e do Bairro dos Ferreiros, a autarquia decidiu na última reunião de câmara cancelar o concurso público anterior e lançar “imediatamente” um novo. “Foi lançado um concurso público que se atrasou e dada a necessidade de alterar alguns dos itens que estavam previstos deliberamos avançar com um novo”, explicou o edil, adiantando que a expectativa é que o projeto avance ainda este ano.

O Plano de Preservação da Biodiversidade de Vila Real, que inclui dois programas, o “SeivaCorgo” e “Proteger é Conhecer”, tem um orçamento de cerca de dois milhões de euros, apoiados por fundos comunitários, e pretende “contribuir para travar a perda da biodiversidade no território do concelho, promovendo ao mesmo tempo o seu valor intrínseco, sobretudo a sua mais-valia patrimonial”.

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