Para onde foi a magia do cinema?

Na crónica Ó Marreco olha o sonoro, para António Lobo Antunes o cinema “continua a ser um barraco ao pé do mar com um lençol amarrado à parede de madeira (…) e por detrás dos bancos o buraquinho da câmara que trepidava como um avião muito antigo e atravessava o cinema do buraquinho ao lençol num raio de luz poeirenta que foi o Espírito Santo da minha infância”.

Em Cinema Paraíso de Giuseppe Tornatore (1988), Totó encontrou, nas sessões de cinema na igreja ou ao ar livre, projetado nas paredes da praça e interrompido em noites mágicas de chuva, a vocação de toda uma vida. Ao longo dos anos, desfilaram perante os nossos olhos, imagens e melodias inesquecíveis, histórias empolgantes, personagens intensas, rostos iluminados, tensões e suspenses intemporais. Ir ao cinema era percorrer uma identidade, viajar por outros mundos e, também, um pretexto para namorar ou para conquistar aqueles olhos lindos parecidos com os dos atores que apareciam no grande ecrã!

A certa altura, as salas “deixaram de ser economicamente rentáveis”. A ditadura do lucro aliou-se a uma outra ditadura ainda mais perversa e

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