Uma parada que ocupou toda a Avenida Aureliano Barrigas representou o culminar de um exercício que, durante cinco dias, envolveu 1.500 militares, 300 dos quais espanhóis, na construção de um território fictício, onde a Brigada de Intervenção pretendeu treinar a “Condução de Operações Defensivas de Resposta a Crises”. Dentro do efectivo que participou no “Dragão 08”, 300 partem, em missão, para o Kosovo, já em Setembro.
Três mortos e dois feridos ligeiros foram o resultado de um assalto das forças da Brigada de Intervenção do Exército Português a um edifício das Nações Unidas, localizado na “Douroland”, território situado em pleno Vale da Pereira, na região de Tresminas, Vila Pouca de Aguiar. Os mortos e feridos, os tiros e as granadas de fumo, o edifício e, mesmo, o território denominado “Douroland” foram elementos de um cenário fictício de uma demonstração, realizada no dia 15, que envolveu cerca de cem militares portugueses e espanhóis e que representou a fase final do exercício “Dragão 08” que, nos seus cinco dias de realização, envolveu um total de 1.500 militares e cerca de 200 viaturas.
“As forças vão reocupar o edifício e deter os indivíduos que se encontram no seu interior, com o objectivo de restabelecer paz”, explicava o Comandante da missão fictícia, poucos minutos antes de um conjunto de militares da Brigada de Intervenção apresentarem o que treinaram, durante cinco dias, num exercício que serviu “para testar apoios de serviços, artilharia orgânica e os sistemas de comando e controlo”.
Para além do Chefe do Estado-Maior do Exército, General José Pinto Ramalho, foram convidados a assistir, não só a comunicação social e outras entidades, mas, também, os adidos militares em Portugal de várias nacionalidades, como, por exemplo, Brasil, Estados Unidos, Polónia ou Roménia.
No cenário virtual, sob as ordens da NATO, as forças militares foram chamadas a intervir na “Douroland”, uma região da “Blueland” que, em conjunto com a “Brownland” e “Greenland”, constitui a “Colored Península”, situada no Sudoeste da Europa.
Nas eleições realizadas em 2006, em “Douroland”, ao contrário das expectativas, o partido representativo da “Brownland” perdeu as eleições. Sob fortes acusações de fraude, os partidos incitam à desobediência civil, iniciando-se o confronto entre as duas etnias das principias cidades. Este foi o cenário desenhado, para que o exército pudesse treinar a condução de Operações Defensivas e Operações de Resposta a Crises, de acordo com as capacidades e possibilidades das unidades a treinar.
”O objectivo era ambicioso, mas o resultado foi positivo, tendo em conta que as forças no terreno funcionaram em conjunto e demonstraram capacidade para trabalhar em rede”, explicou o General.
Entre os 1.200 portugueses (1.º Batalhão de Infantaria de Vila Real, 2.º Batalhão de Infantaria de Viseu, Grupo Auto Metralhadoras e Esquadrão de Reconhecimento de Braga, Companhia de Transmissões do Porto, Grupo de Artilharia de Leiria, Bateria de Artilharia Antiaérea de Queluz e Batalhão de Apoio de Serviços de Chaves), 300 destacaram-se, por integrarem a força portuguesa que vai para o Kosovo.
Jucelino Gomes, Comandante do grupo de militares que vai para o Kosovo, também viu, de forma positiva, os resultados do “Dragão 08” e adiantou que os portugueses que “estão a treinar 24 horas por dia”, “encaram com muito optimismo a missão que terá início no próximo mês de Setembro”.
À margem do exercício, o Chefe do Estado-Maior do Exército deixou a garantia de que a Companhia de Engenharia, constituída por 141 homens, a qual partirá para o Líbano, no final deste mês, “é conhecedora da situação que pode encontrar”, inclusivamente do agravamento dos conflitos, naquele território.
Os militares “vão com a preparação, treino e meios adequados, para responder às necessidades” – frisou o General José Pinto Ramalho, sublinhando que “a situação de crise não é algo que surpreenda o Exército português”.
O “Dragão 08” culminou com mais um “assalto”, desta vez a uma das principais artérias de Vila Real, com a realização de uma parada que apresentou à população os 1.500 militares e 200 viaturas que participaram no exercício.
“Esta é uma oportunidade única de fazer a ligação entre o Exército e a sociedade civil”, referiu o Chefe do Estado-Maior do Exército.
Maria Meireles


