Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

100 anos da Feira dos Reis em Vila Verde

A tradição voltou a cumprir-se na freguesia do concelho de Alijó. Destaque este ano para a comemoração do centenário, que foi aproveitado para homenagear os ex-presidentes de câmara, os ex-governadores civis e o senhor Lage, o homem que deu vida ao certame

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A 6 de janeiro a tradicional Feira de Reis voltou a cumprir-se em Vila Verde. Este ano foi especial já que passaram 100 anos desde a primeira edição desta romaria, que é considerada uma das melhores montras de gado bovino das raças autóctones da região. Foi possível constatar belos exemplares, de grande porte, onde estão bem patentes as características únicas da raça maronesa.

Ao final da manhã, foi a altura em que os criadores subiram ao palco para receberem os prémios do concurso dos melhores exemplares de gado que se apresentaram na feira. Seguiu-se um almoço convívio, onde naturalmente o porco foi o rei da mesa, juntamente com arroz de couves, acompanhado pelo bom vinho da região. No fim, a sobremesa contou com um saboroso sarrabulho doce, feito com o sangue do porco, juntamente com amêndoas e canela. Depois, para além de ter sido cantados os parabéns, foi ainda servido o bolo de aniversário.

Este almoço tem características muito próprias, pois além de proporcionar um convívio único de confraternização, tem como objetivo angariar fundos para o Centro Social e Recreativo de Vila Verde, instituição que tem como finalidade proporcionar o bem-estar das populações mais desfavorecidas e idosas.

Visivelmente satisfeito, o presidente da junta de freguesia, Domingos Aurélio, referiu à nossa reportagem que este ano foi “especial” devido aos 100 anos que passam desde a primeira edição. “Tudo correu bem. Os feirantes e os criadores aderiram ainda mais este ano, pois é também uma data especial, que até ultrapassou as minhas expectativas”.

O também presidente do Centro Social de Vila Verde sublinhou ainda que toda a população é convidada a participar neste almoço, que significa uma grande partilha de solidariedade.

O presidente da Câmara Municipal de Alijó, Carlos Jorge Magalhães, mostrou-se muito satisfeito com o centenário desta feira, referindo que é uma “honra e um orgulho, para uma população que vive num território de baixa densidade, conseguir manter a qualidade deste certame ao longo de 100 anos, o que revela a identidade desta população e as referências que nos trouxeram até aqui”.

O edil vai continuar a apoiar esta iniciativa e espera que se repita por mais 100 anos, pelo menos. “Nós já não estaremos cá, mas outros virão para continuar com esta dinâmica, que mexe com a economia, não só do concelho mas também das zonas limítrofes. É uma forma de agradecer a todos os agricultores que conseguem fazer agricultura, pastorícia e pecuária em terrenos pobres com toda a qualidade que têm os produtos genuínos aqui produzidos”.

Este ano, o almoço foi mais demorado já que foram condecorados os ex-governadores civis do distrito, os ex-presidentes de Câmara do Concelho de Alijó e, claro, uma pessoa muito querida de todos e que tornou este sonho realidade, o senhor Lage, a título póstumo. “É uma justa homenagem a pessoas que sempre nos prestigiaram com a sua presença e que sempre apoiaram este momento alto do nosso concelho”, sublinhou Carlos Jorge Magalhães.

Em ano de centenário foi celebrada uma missa que teve a presença especial do Bispo D. Ximenes Belo, Nobel da Paz em 1996, que esteve pela primeira vez na feira, mas já tinha estado por duas vezes por altura da Páscoa no concelho de Alijó. “Fui convidado por um amigo, que é natural desta localidade, e ele falou-me que a feira de Reis fazia 100 anos e eu aceitei o convite para vir conhecer esta realidade. Celebrei a missa de manhã e agora estamos todos aqui num convívio muito agradável. É um prazer ver toda esta gente a partilhar valores de solidariedade”.

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