A Porta do Ano da Misericórdia é um sinal e metáfora da ascensão para Deus, da inserção em Cristo, a verdadeira “porta das ovelhas”, o traço de união entre o divino e o humano, entre o sacro e o profano e o que somos e demos ser. Verdadeiro Deus e verdadeiro Homem Ele é o Sumo Pontífice, o construtor de pontes, o caminho e porta para Deus, que nos dá a chave do Espírito. Ninguém vai ao Pai, sem ser por Ele. A porta serve, para abrir e fechar, entrar e sair ao encontro dos que vivem fora e distantes. Permite acesso ao sagrado, ao altar, que é Cristo, à comunhão celebrativa, mas, também, nos abre ao mundo, onde vamos e devemos ir apregoar o que ouvimos e aprendemos, levando e testemunhando o tesouro de Cristo, recebido, na liturgia, na catequese, na escuta da Palavra de Deus e na comunhão do Corpo e Sangue do Senhor Ressuscitado, como Ele pediu ao Pai: “Não Te peço que os retires do mundo, mas que os livres do mal”(Jo. 17,15).
No contexto celebrativo do Ano Jubilar da Misericórdia, há que educar as crianças e a gente, para a clemência e perdão. Não traumatizar, com ameaças e castigos, mas sarar, apontar caminhos de esperança e misericórdia. Só o amor cura, salva, abre e converte os corações. Só o amor promove, dá alegria e sentido à existência.
A aprendizagem inicial do bem, da verdade, da beleza e da virtude faz-se na família, igreja doméstica e célula mãe da sociedade, onde se obtém, aprende, cultiva e exercita o espírito do associativismo e da vida comunitária e solidária. Não podemos conduzir a humanidade, por caminhos de paz, verdade, justiça, diálogo e respeito, sem apostar nas famílias e semear, ensinar, cultivar e potenciar, nelas, os valores condizentes, pois, a família será, sempre, o berço e escola do amor e da solidariedade, o meio propício de potenciar bons sentimentos, apreço de valores e a esperança. A comunidade familiar é o ambiente natural, onde as virtudes nascem, crescem, são cultivadas e amadas. Quem vive, na família, os valores, que promovem a vida humana e o bem comum, constrói a humanidade, como sociedade justa, pacífica e solidária, composta de muitas famílias. A educação das crianças, para a comunhão com os demais, para a descoberta do outro e para os benefícios daí resultantes, é indispensável e começa, na família, ninho e berço do amor, púlpito da grata e alegre notícia e veículo transmissor do Evangelho.
Rancores, semeados, na alma das crianças, permanecem. É um mal transmitir às crianças e adolescentes sentimentos e ameaças de ódio e animosidade. Nos adultos, o rancor acaba por esvair-se, mas, as crianças, dificilmente, esquecem injúrias, ódios e maus tratos de alguém contra os pais, amigos e familiares. Por isso, as famílias devem ocultar rancores, ódios, desinteligências e maus exemplos às crianças, porque tanto os bons sentimentos e boas condutas, como o mal, o ódio e o negativo tendem, sempre, a colar-se e a imprimir-se, de modo indelével, nas almas das crianças inocentes, que, destituídas de informações e de capacidade de entendimento, são “como tábuas rasas, onde nada está escrito”. Nelas, tudo deixa marcas. Nelas, ficam gravados quer o amor, o espírito de clemência e misericórdia, quer o ódio, a violência, a inveja e o rancor. A educação, que a família, a escola, os adultos e os meios de comunicação oferecem às crianças, é determinante, para elas e para o futuro da sociedade. O dano é gravíssimo e as consequências, para a humanidade de amanhã, feita com as crianças de hoje, são, de facto, péssimas e irreparáveis. Na educação dos mais novos é bem verdade que “quem semeia ventos colhe tempestades”.
Os filhos não esquecem o mal feito aos pais, nem o que estes lhes contam de mal, de violento e rancoroso. É mal semear nas crianças, o ódio e incentivá-las à vingança e à violência e sujeitá-las a práticas abjetas, como a sua utilização como soldados e o mal feito a seres humanos de tenra idade, como aproveitamento sexual, venda e extração de órgãos e as escravaturas e condutas ditatoriais dos nossos tempos.
São de louvar os gestos e atitudes daqueles que, em resposta ao ódio, ao fanatismo e à prepotência e loucura do terrorismo, respondem, com o perdão e a não-violência, em vez de ódio e retaliação, evitando, assim, o círculo infernal de guerra e violência. Mesmo que não creiam ou não tenham ouvido falar de Jesus Cristo, já seguem Aquele que do alto da cruz respondeu ao insulto e à violência, com o amor, a misericórdia e o perdão, dizendo: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”(Lc. 23,34). Sabemos que Jesus não encabeçou guerras, não promoveu discórdia e violência, mas rejeitou e dissuadiu de usar a força: “Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada morrerão à espada” (Mt. 26,52).
Com Paulo, peço: “Não pagueis a ninguém o mal com o mal; interessai-vos pelo que é bom diante de todos os homens. Tanto quanto for possível e de vós dependa, vivei em paz com todos. Não vos vingueis por vós próprios, mas deixai que seja Deus a castigar (…) Não vos deixeis vencer, pelo mal, mas vencei o mal com o bem” (Rm.12, 17-19.21). E “a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos Vós!. Amen”. (Rm 16, 24).





