A grande instituição nacional

Não sei por que razão Portugal ainda não afocinhou no Atlântico, tal é o peso de gente junto à costa pelo que, pelas leis da Física, já devíamos há muito estar a fazer companhia aos carapaus e aos robalos. Percorre-se o país numa faixa para lá de uma linha a 50 quilómetros da costa, e que vemos? Campos invadidos de silvados, montanhas onde já medram varas de javardos, planícies cobertas de pó, ruínas de aldeias, memórias pairando sobre elas com vontade de fugir também. Portugal é assim um imenso país por colonizar. As dez milhões de almas que o habitam concentraram-se nas grandes metrópoles, umas por cima das outras – sardinha em lata – como se o país fosse uma língua apertada de terra onde não coubessem todos à largueza.

Temos esta mania de nos chegarmos ao barulho e à confusão, uma espécie de masoquismo que nos sublima o sofrimento em prol dum pretenso progresso que dizem morar somente nessas urbes enxameadas de gente. Nesta lógica de mel coado, tudo o que brota do interior é mísero e retrógrado, e tudo o que se gera nas capitais do aperto é rico e moderno. E, em busca dessa quimera de riqueza e vanguarda, os filhos deste país correm desenfreados até ao limite da terra, cheiram o mar e dizem: – Agora sim! Cheguei ao meu destino!

Depois é que são elas, com o frenesim das cidades loucas e a descoberta de que, afinal, tinham perdido a liberdade,

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